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22/01/2010

Primeiro ano na Casa Branca: um sucesso relativo dos republicanos

El País
Antonio Caño Em Washington
O verdadeiro vencedor é o radicalismo conservador que cresce na base

A explosão de alegria com que os conservadores receberam na quarta-feira sua vitória na eleição de um representante para o Senado estadual de Massachusetts é mais que justificada em uma formação que conseguiu recuperar a iniciativa política só um ano depois de perder a presidência, mas não é a prova da boa saúde do Partido Republicano nem uma garantia de seus futuros êxitos.

O vencedor no Estado de Massachusetts, Scott Brown, é um populista sem identificação ideológica, que durante a campanha teve muito cuidado para não ser identificado como republicano e evitou cercar-se das figuras mais representativas do partido. Sua vitória, além da derrota de Barack Obama e dos democratas, é a vitória da pessoa que serve como mensageiro do mal-estar dos eleitores, não necessariamente a vitória do Partido Republicano.

  • Robert Spencer/AFP

    O senador republicano Scott Brown foi anunciado na madrugada desta quarta-feira(20) com o grande vencedor das eleições distritais de Massachusetts, em Boston, nos Estados Unidos. O candidato derrotou a democrata Martha Coakley, que era apoiada pelo presidente norte-americano Barack Obama. Com a derrota da democrata, Obama perde a supermaioria de cadeiras no Senado dos EUA e pode ter dificuldade de aprovar as reformas que prometeu



Uma pesquisa publicada na quarta-feira pelo jornal "The Wall Street Journal" e a rede NBC dava aos republicanos uma preferência de voto para as eleições legislativas de novembro de 41%, exatamente igual à dos democratas. Perguntados se aprovam a atuação da oposição durante o debate da reforma da saúde, 64% dos entrevistados responderam que não, número pior que o de Obama.

Portanto, não é neste momento o Partido Republicano o catalisador do descontentamento popular. Seus êxitos e sua visibilidade recentes se devem à energia conquistada por um movimento de base conhecido como "tea party", em alusão a um dos fatos decisivos da Revolução Americana e um dos que melhor explicam o sentimento desta sociedade contra os impostos e a autoridade governamental.

No final do século 18, foi uma ação contra o odiado Império Britânico que elevou a reputação de um dos pais da nação, Samuel Adams. Transferido para o início do século 21, o "tea party" é um movimento que substancialmente representa o medo do homem branco de classe média, exacerbado pela crise econômica e a chegada de um afro-americano à Casa Branca. Suas ideias e suas mensagens são uma mistura de anarquismo liberal, racismo e fanatismo religioso.

Eles não têm um líder nem um domicílio social. Mas organizaram as maiores mobilizações populares do último ano, se difundiram por quase todo o país e tiraram o conservadorismo do estado de prostração em que o deixou George Bush. No início de fevereiro realizarão sua primeira convenção em Nashville (Tennessee), onde Sarah Palin - ex-candidata a vice-presidente e ex-governadora do Alasca - pronunciará o discurso de encerramento.

As atividades dos "tea party" receberam ampla cobertura por parte da rede de televisão Fox News, cujo mais exaltado comentarista, Glenn Beck, é também uma das estrelas e principais agitadores do movimento.

Dessa confabulação de interesses se aproveitou o Partido Republicano, cujos dirigentes atualmente oscilam entre o apoio prudente aos "tea party" e o silêncio complacente. Figuras como John McCain e Newt Gingrich, por exemplo, alertaram sobre o potencial perigo de radicalização e exclusão que representa. O vencedor em Massachusetts exibiu, no entanto, em alta voz o apoio que esse movimento havia dado a sua candidatura.

Por mais energia que essa plataforma gere, não é difícil prever tensões internas e fragilidades quando houver o debate pela tomada do poder. Pode ajudar o Partido Republicano a unir forças para ganhar em novembro, mas é muito arriscado pensar que os "tea party" possam representar uma opção séria para recuperar a presidência em 2012.

Inclusive pode acentuar o fenômeno, que já se observou em 2008, de marginalização dos republicanos entre as minorias raciais e os eleitores melhor educados e de hábitat urbano, talvez decepcionados com Obama, mas também assustados com a beligerância com que se expressa a alternativa conservadora.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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