UOL Notícias Internacional
 

23/01/2010

Obama deixa seu programa de reformas para se concentrar na economia

El País
Antonio Caño
Em Washington
A derrota em Massachusetts divide os democratas e põe o Congresso contra a Casa Branca

Em meio ao fogo cruzado entre as forças que apoiam o governo - o Congresso contra a Casa Branca, os responsáveis do Executivo entre eles mesmos, os esquerdistas contra os moderados -, Barack Obama deixou em suspenso não só a reforma da saúde como outras importantes transformações previstas em seu programa para dar prioridade às medidas econômicas que servirão para acalmar a angústia do eleitorado e evitar uma próxima derrota eleitoral.
  • AP

    A derrota em Massachusetts divide os democratas e põe o Congresso contra a Casa Branca


Depois do desastre de Massachusetts, Obama precisa recuperar seu crédito entre os cidadãos antes de tentar outra via para a mudança que, em seu modelo atual, fracassou. Para isso, recorreu a medidas de fácil apoio popular, como a reforma para limitar a atividade arriscada dos bancos, e tentará tornar mais visível sua preocupação com a crise econômica.

Essa era sua missão na sexta-feira (22) em Ohio, onde um presidente sem gravata, precipitadamente grisalho e armado de um novo repertório populista prometeu que não descansará "até conseguir postos de trabalho para todos". "Não cheguei a este cargo para fugir das dificuldades", declarou em uma assembleia com trabalhadores e pessoas de classe média. "Cheguei para reconstruir nossa economia, para criar empregos e para ajudar as famílias."

Ohio é um dos lugares onde Obama cimentou sua vitória em 2008 com a promessa de uma mudança que aliviaria as privações pelas quais a população passava. Provavelmente o que os cidadãos entendiam por essa mudança era mais empregos, melhores salários e menos despejos (por não poderem pagar as hipotecas bancárias). Obama apostou, no entanto, em uma reforma estrutural: melhor saúde, melhor educação, energias alternativas, melhora das instituições democráticas. Tudo isso está agora em reconsideração.

O presidente admitiu em seu discurso de sexta-feira que a reforma da saúde havia sofrido um sério revés na última semana, para felicidade das companhias de seguros e dos interesses criados. Embora tenha dito que continuava sendo seu objetivo, a criação de um novo sistema de saúde já está claramente fora das prioridades do governo.

A lei que foi aprovada pelo Senado e pela Câmara dos Deputados está condenada à morte pelos próprios democratas que a votaram então, mas que agora, depois do que ocorreu em Massachusetts, querem desligar-se dela. O senador Christopher Dodd propôs na sexta-feira suspender inclusive qualquer debate a respeito durante um mês ou um mês e meio.

É impossível nesse clima tentar agora, como estava previsto, a discussão dos outros grandes projetos da Casa Branca, como a reforma energética, a proteção do meio ambiente ou a reforma educacional. Embora não se aceite oficialmente a renúncia às promessas eleitorais, um porta-voz da Casa Branca reconheceu que neste momento é necessário "tranquilizar-se e tomar uma boa lufada de ar".

Muitos congressistas, que sentem a respiração dos republicanos em sua nuca, acusam a Casa Branca de tê-los forçado a debater um programa absurdo de reformas que os separou dos interesses diários dos eleitores. O chefe de gabinete de Obama, Rahm Emanuel, está no ponto de mira do Capitólio. Seu principal assessor político, David Axelrod, não goza de muito mais carinho.

Dentro da equipe mais próxima ao presidente também começaram a surgir discrepâncias. Sua decisão de quinta-feira sobre o sistema financeiro, assumindo uma ideia de seu assessor econômico, Paul Volcker, é interpretada como uma grave desautorização do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, cuja ratificação pelo Senado, antes garantida, agora está em suspenso.

Geithner e Bernanke foram escolhidos como os alvos preferidos da esquerda, que os acusa de serem defensores dos interesses de Wall Street e de ter arrastado o presidente nessa direção. As vozes mais radicais ou oportunistas no Partido Democrata - decepcionadas, entre outras coisas, porque terminou o prazo prometido para o fechamento de Guantánamo sem que isso fosse feito - ameaçam abandonar Obama. Os senadores Russ Feingold e Barbara Boxer anunciaram que, reconhecendo o mal-estar popular pela ajuda aos bancos, votarão contra Bernanke.

Obama tenta manter o prumo diante do sério assédio que sofre. "Dá gosto estar fora de Washington", comentou em Ohio. "Há boa gente lá, mas às vezes enlouquecem, tiram do centro". O tempo atual, no entanto, não ajuda a acalmar. A maioria dos políticos já começou a busca frenética por dinheiro para as eleições de novembro, mais esgotadora ainda depois da decisão de quinta-feira da Suprema Corte de autorizar doações ilimitadas de particulares e empresas para as campanhas eleitorais, o que dá uma nova vantagem aos republicanos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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