UOL Notícias Internacional
 

23/01/2010

China acusa EUA de prejudicar relações bilaterais com suas declarações contra a censura na Internet

El País
José Reinoso
Em Pequim
O Google diz que servidores e mensagens eletrônicas dos dissidentes chineses nos EUA foram atacados por ciberpiratas, supostamente apoiados pelo governo chinês

A crise política entre EUA e China provocada pelo Google não dá sinais de amainar, apesar do interesse de Pequim em transformá-la em um assunto meramente empresarial. O governo chinês arremeteu contra Washington e acusou-a de prejudicar as relações bilaterais com suas repetidas declarações contra a censura na Internet. "Os EUA criticaram a política seguida pela China para administrar a Internet e insinuaram que a China restringe a liberdade na rede. Isto é contrário aos fatos e prejudica as relações [entre os dois países]", disse Ma Zhaoxu, porta-voz das Relações Exteriores.
  • AP

    Jovens colocam flores no letrereiro do Google em Pequim


Em um discurso na última quinta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, se pronunciou de forma taxativa contra as restrições à liberdade de informação praticada por países como China, Irã ou Arábia Saudita, e pediu que Pequim investigue as queixas do Google de que seus servidores e as mensagens eletrônicas de dissidentes chineses nos EUA que utilizam seu serviço Gmail foram objeto de ataques por parte de ciberpiratas, supostamente apoiados pelo governo chinês. Depois da denúncia da companhia californiana, realizada em 12 de janeiro passado, divulgou-se que mais de 30 empresas foram espionadas.

Clinton afirmou que "uma nova cortina da informação desceu em muitas partes do mundo" e comparou as crescentes restrições à Internet com o Muro de Berlim. A secretária de Estado reiterou o apoio dos EUA a "uma única Internet em que toda a humanidade tenha igual acesso ao conhecimento e às ideias".

O governo chinês aumentou de forma constante a censura e os controles da rede nos últimos anos, temendo o efeito que a livre circulação de notícias e opiniões possa ter sobre o monopólio de poder do Partido Comunista Chinês (PCCh). Pequim acredita que a Internet pode ser utilizada para tentar desestabilizar o país, incitar o separatismo e minar a autoridade do governo.

"A campanha americana por um fluxo de informação livre e sem censura em uma Internet sem restrições é uma tentativa disfarçada de impor seus valores a outras culturas em nome da democracia", ressalta um editorial do jornal "Tempos Globais", ligado ao "Diário do Povo", órgão oficial do PCCh. As autoridades bloqueiam, entre outras coisas, o acesso a páginas sobre a independência do Tibete, o movimento de inspiração budista Falun Gong, a matança da Praça Tiananmen em 1989 e os sites de organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional. Mas também impedem o acesso à rede social Facebook, ao site de vídeos YouTube ou o serviço de mensagens Twitter.

Depois dos ciberataques sofridos, o Google disse que deixará de cooperar com a censura - o que fez desde que entrou na China em 2006 e introduziu sua popular máquina de buscas - e que se o governo de Pequim não aceitar, deixará o país.

O coquetel de ciberespionagem a empresas americanas e defesa do direito à liberdade de informação na Internet se transformou em um novo ponto de atrito nas sempre complicadas relações entre EUA e China. Mas Ma voltou a insistir que Pequim não quer que a disputa cresça e obscureça a cooperação e os vários interesses comuns. O porta-voz das Relações Exteriores pediu que Washington "deixe de utilizar a chamada liberdade na Internet para criticar a China sem fundamento" e disse, sem mencionar em nenhum momento Clinton, que espera que ambas as partes "administrem as desavenças e os temas delicados de forma adequada para manter o desenvolvimento saudável e estável das relações entre China e EUA".

O Google afirmou na quinta-feira que continua filtrando os resultados oferecidos por sua máquina de buscas na China, de acordo com a lei, mas que isso mudará "em um prazo razoavelmente curto". A companhia afirmou que está negociando com as autoridades chinesas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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