UOL Notícias Internacional
 

26/01/2010

Fórum Social Mundial de Porto Alegre busca a si mesmo

El País
Juan Arias
No Rio de Janeiro
A reunião, da qual deverão participar 30 mil pessoas, símbolo do movimento antiglobalização, discute sua crise de identidade. O principal objetivo da organização, que estuda sua transformação em partido político internacional (seria a Quinta Internacional Socialista), é a necessidade de mudar a cultura política e econômica dominante.

O Fórum Social Mundial, que nasceu há dez anos para reunir os movimentos sociais de esquerdas do mundo, em antagonismo ao Fórum Econômico Mundial de Davos, começou na segunda-feira (25) em Porto Alegre (Brasil) em um clima de crise de identidade. Esse fórum nasceu em clara disputa com o neoliberalismo capitalista, mas agora enfrenta mais problemas, a ponto de que este ano terá duas edições: a de Porto Alegre, nas mãos dos movimentos sociais de esquerda que são de alguma forma antipartidos, e a de Salvador, no fim de semana, da qual participarão os partidos, começando pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que hoje governa o Brasil.
  • Neco Varella/EFE

    Participantes do Fórum Social Mundial, que teve início nesta segunda-feira (25), em Porto Alegre


Nesses dez anos as coisas mudaram muito na América Latina, onde o Fórum Social Mundial teve maior projeção, enquanto alguns de seus fundadores, como o português Boaventura de Sousa Santos, chegam ao Brasil com certo pessimismo. "Esta década na qual estamos entrando será mais difícil para as forças progressistas", afirma Sousa.

O fórum, do qual participará na quarta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava na oposição quando foi fundado, vai colocar uma série de perguntas sobre seu futuro depois desses dez anos de experiência. Lula também participará este ano do Fórum de Davos, que começa na quarta-feira.

A primeira discussão do fórum será se deve continuar sendo um movimento puro, sem deixar que os partidos tenham voz e voto nas decisões, como foi até agora, ou se os deixa participar mais ativamente. O fórum está dividido nesse aspecto, já que uma parte se abre para novos horizontes e outra afirma que acabou a hora dos partidos como representação política da sociedade, para dar lugar à democracia direta, na qual o povo toma decisões através de plebiscitos.

Será discutida no fórum até a possibilidade de ele mesmo se transformar em um partido mundial, uma espécie de Quinta Internacional Socialista, na qual poderiam entrar os partidos de esquerda. Uma incógnita será o papel que desempenhará o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que em anos passados teve uma forte presença no fórum de Porto Alegre, inclusive roubando o protagonismo de Lula em algumas ocasiões.

O fantasma da crise econômica mundial dará armas aos movimentos mais antiliberais do fórum para atacar o capitalismo e pedir um maior papel do Estado e dos movimentos sociais. Por último, existe um certo temor de que a chegada de Barack Obama à Casa Branca possa representar um problema a mais para os movimentos sociais da América Latina. O português Sousa teme o crescimento do paramilitarismo, pois, segundo ele, os EUA já estão presentes na Colômbia, Bolívia, Equador e Venezuela.

Entre 20 mil e 30 mil pessoas participarão esta semana do Fórum Social. Seus fundadores consideram que depois da época neoliberal triunfante, nos anos 1990, as ideias do fórum avançarão, como demonstra a maior intervenção dos países na economia para frear a crise econômica ou a mobilização para conter a mudança climática e a deterioração ambiental. Mas em dez anos o movimento também começa a se perguntar sobre seu futuro.

"O Fórum Social Mundial tem como primeiro objetivo a necessidade de mudar a cultura política e econômica dominante. Enquanto isso, temos de definir que mundo queremos", declarou o brasileiro Cândido Grzybowski, um dos fundadores, à Agência France Presse. Esta edição do fórum "deverá servir para fazer propostas para o futuro do movimento", acrescentou Oded Grajew, outro militante histórico.

"Em 2001 fomos os únicos que dissemos que a globalização não ia melhorar o mundo. Agora temos de desafiar de forma ainda mais contundente a cultura dominante nos mercados", opina a italiana Rafaella Bolini. Outro fundador do fórum, o francês Bernard Cassen, sugeriu um maior envolvimento dos políticos, estratégia criticada por muitos militantes do movimento.

Além de Lula e Chávez, também é possível que participem os presidentes da Bolívia, Evo Morales; Equador, Rafael Correa; e Paraguai, Fernando Lugo.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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