UOL Notícias Internacional
 

12/02/2010

Assédio político no ciberespaço

El País
Ángeles Espinosa
Em Teerã

O regime dos aiatolás torpedeia o acesso à internet para impedir a divulgação de mensagens da oposição iraniana

Em sua longa lista de conquistas tecnológicas, o presidente Mahmud Ahmadinejad esqueceu de mencionar ontem a interrupção do Skype, o sistema de bate-papo e ligações através da Internet que até agora havia resistido a todas as intromissões de seus agentes no ciberespaço. Não mais. Há cerca de duas semanas, o famoso símbolo verde passa a maior parte do tempo em cinza, "tentando a conexão", e os opositores perderam outra via de comunicação segura.

É a última batalha da guerra que o governo e a oposição iranianos travam pelo controle da informação. Com todos os jornais reformistas fechados e sem direitos de reunião e manifestação, os opositores recorreram desde o início à internet para se comunicar e organizar seus protestos. Além disso, diante da falta de liberdade de movimento para a imprensa, eles mesmos filmavam os abusos policiais com seus telefones celulares e os publicavam na rede.

  • Abedin Taherkenareh/EFE - 8.fev.2010

    O governo do Irã suprimiu milhares de blogs nos quais jovens reformistas informavam sobre os protestos de rua contra a reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad (foto). Em um país onde não há liberdade de expressão e onde, segundo um relatório de 2008 da Universidade de Harvard, existem cerca de 60 mil blogs, aqueles depoimentos foram uma valiosa janela para o descontentamento social que sacode o regime

Mas as autoridades também não perderam tempo. Logo impediram o acesso a YouTube, Twitter e Facebook e ampliaram o número de páginas bloqueadas para incluir lugares como o site da BBC. A medida conseguiu que se generalizasse o uso de desbloqueadores, programas e endereços para contornar o servidor local. E enquanto os responsáveis pelas telecomunicações se empenhavam em fechar as páginas dos reformistas, um exército de simpatizantes e voluntários se encarregava de transferir seu conteúdo para servidores fora do Irã.

Alarmados pela situação, os pasdaran, o exército ideológico do regime, criaram no outono passado um departamento de ciberpolícia com o objetivo declarado de "perseguir os delitos informáticos". Pouco depois a imprensa local informou que entre eles se encontrava "a utilização ou difusão de desbloqueadores". A desaceleração da internet, a suspensão da cobertura de celular e o corte do serviço de mensagens se transformaram em algo habitual cada vez que a oposição planeja um protesto.

Às vésperas do aniversário da revolução, a lentidão do acesso tornava quase impossível abrir alguns sites de correio eletrônico, como Hotmail ou Gmail, inclusive as páginas de "El País". No caso do Gmail, era impossível fazê-lo mesmo através de um desbloqueador. Diante das queixas dos usuários, um porta-voz da Google confirmou que havia ocorrido "uma importante redução do tráfego" no Irã, mas afirmou que não se devia a nenhum problema técnico.

Especialistas em comunicações citados pela imprensa americana atribuem as maiores dificuldades para o acesso ao correio desse provedor a seu sistema de criptografia, que impede que os ciberespiões do governo leiam o conteúdo das mensagens. A explicação é consistente com as declarações de Said Mahdyun, um funcionário das telecomunicações iraniano que na semana passada disse à agência semioficial Irna que o Gmail seria bloqueado para animar os usuários a mudar para um serviço de correio eletrônico nacional que as autoridades estão tentando lançar. Dada a crescente desconfiança dos iranianos em relação a seu governo, é muito improvável que a migração ocorra de forma voluntária.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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