UOL Notícias Internacional
 

12/02/2010

Prefeitos de cidades palestina e israelense convivem em paz

El País
Jorge Marirrodriga

Abu Musa e Danny Atar: prefeitos das cidades palestina e israelense de Jenin e Gilboa: "Querem ajudar a paz de Israel e Palestina? Venham"

Estes dois homens foram inimigos mortais. Um deles é Daniel Atar, que chegou a coronel da Brigada Golani, a mais prestigiosa do exército israelense. Em 1982, Atar estava no avanço da invasão israelense ao Líbano com uma missão muito concreta: liquidar militantes do movimento palestino. O outro é Qadura Musa, jornalista. Foi o responsável máximo pela Al Fatah na área de Jenin e passou 12 anos nas prisões de Israel. Musa tira do bolso alguns palitos e, em um gesto de familiaridade indubitável, passa um para Atar, a questão de qual é a chave da paz entre israelenses e palestinos obtém uma resposta automática: a vontade de pessoas dispostas a se arriscar.

  • Sven NACKSTRAND/AFP - 26.dez.2000

    Vista do muro que separa a vila israelense de Matan (direita), da vila palestina de Habla,
    mesmo caso das cidades de Gilboa e Jenin

"Lehaim [pela vida]", o israelense levanta sua taça de vinho no restaurante marroquino que escolheu porque é um tipo de comida com o qual se sente "em casa". O palestino responde erguendo seu copo de água. Ambos são muito diferentes. Atar come em mangas de camisa, enquanto Musa não tira o paletó nem a gravata. O primeiro é de respostas curtas, enquanto o segundo se estende. Mas ambos se sentam juntos no mesmo lado da mesa e se tocam enquanto conversam. Atar refere-se sempre ao palestino como Abu Musa, o que reflete familiaridade e respeito. O palestino utiliza Danny para se referir ao ex-militar.

Hoje em dia, Atar e Musa são os respectivos prefeitos de Gilboa e Jenin. Cidades vizinhas e irmanadas mas separadas, primeiro por anos de violência e depois pela barreira construída por Israel. E são os promotores de um projeto que em pouquíssimo tempo está conseguindo resultados espetaculares e que agora divulgam por todo o mundo.

Atar, que milita no Partido Trabalhista e é admirador do assassinado Isaac Rabin, conseguiu que o governo israelense aceite abrir a separação entre as duas cidades, e o resultado é um intercâmbio sem precedentes.

Mais de 10.000 israelenses cruzam toda semana para o lado palestino. Agora querem que Jenin seja conhecida na Europa não pelos violentos combates de 2002, mas como um exemplo de convivência e segurança. "Há pouco tempo Tony Blair esteve comendo falafel na rua. Não tínhamos escolta e ele não podia acreditar", explica Musa. "A mensagem é esta: conseguimos mudar as coisas em muito pouco tempo. Jenin é um dos lugares mais organizados do mundo graças à coragem e à visão de Musa", diz Atar, enquanto pede ao jornalista que tome menos notas e coma mais. "Danny Atar está dando um exemplo de convivência excepcional entre judeus e árabes. Compreendeu a necessidade de dois povos em dois Estados", replica Musa.

As famílias dos dois prefeitos se conhecem, e Atar faz muitos elogios à hospitalidade de seu amigo. O israelense foi eleito por seus vizinhos em quatro ocasiões consecutivas. Em 1995 conheceu Musa em um kibutz. O palestino tinha sido enviado ali por Yasser Arafat para estudar esse modelo de produtividade. "Há muita gente na Europa que diz que quer ajudar na paz. Eu lhes digo: venham, passem várias noites em Jenin, gastem seu dinheiro lá e ajudem sua economia", salienta Atar.

Antes de partir, Abu Musa resume o que pensa: "Danny conhece a guerra e não quer que seus filhos a sofram. Eu conheço a prisão e não a quero para meus filhos".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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