UOL Notícias Internacional
 

14/02/2010

Como se diz cratera em mandarim?

El País
Jose Reinoso
Em Beijing (China)

A China normatiza os nomes lunares para seu ambicioso programa espacial. Beijing quer chegar a marte em 2050

Há alguns meses, o governo chinês decidiu que havia chegado a hora de colocar em ordem a bagunça linguística em que haviam se transformado as referências cada vez mais frequentes aos termos geográficos relacionados à Lua. A iniciativa científico-linguística asiática é um claro indicador da crescente ambição espacial de Beijing.

Em português ou inglês é possível simplesmente chamá-las de crateras lunares, mas em mandarim existem pelo menos cinco formas de se referir aos buracos sobre a superfície do satélite terrestre, sendo a mais popular “keng”, que significa simplesmente buraco.

O Instituto de Toponímia, que pertence ao Ministério de Assuntos Civis, lançou um programa para reunir as possíveis traduções das 18 características da Lua normalmente utilizadas e normatizar, entre eles, os termos correspondentes às suas formações, como dorsum, mare, oceanus, planitia, promontorium, sinus ou a própria cratera.

A primeira lista sistemática da nomenclatura lunar foi publicada em 1935 pela União Astronômica Internacional, mas evoluiu em consequência dos sucessos alcançados durante a época dourada da exploração do espaço no Ocidente, nas décadas de 1950 e 1960. Agora chegou a vez da China.

Depois do recente ponto final norte-americano ao programa Constellation, do presidente George W. Bush, cujo objetivo era voltar à Lua em 2020, as aspirações espaciais de Beijing ganharam destaque.

Em silêncio e sem muita comoção, exceto quando se trata de divulgar as ações para dar brilho à imagem do país, alimentar o nacionalismo e reforçar a liderança do Partido Comunista chinês, Beijing multiplicou nos últimos anos seus sucessos no espaço.

Em 15 de outubro de 2003 surpreendeu ao mundo ao transformar-se na terceira nação, depois da extinta União Soviética e dos Estados Unidos, em colocar um ser humano no espaço a bordo da nave Shenzhou V. Em 2005, foram dois os tripulantes que viajaram à órbita da Terra e, em 2008, três os que ocuparam a cápsula com o objetivo, cumprido, de realizar o primeiro passeio espacial da história chinesa. Enquanto isso, em 2007, a China lançou a primeira missão orbital lunar, Change 1, que durou 16 meses, para traçar mapas tridimensionais da superfície.

Mas o que está por vir denota uma ambição ainda maior. Em outubro deste ano, Beijing planeja enviar sua segunda sonda ao satélite terrestre; em 2012 ou 2013 quer depositar um veículo para estudar a estrutura interna da Lua, e em 2017 enviar um robô que recolha amostras minerais.

Para 2020, a China quer contar com sua própria estação espacial e, se o governo aprovar o programa recomendado pelos especialistas da Academia de Ciências, enviará sondas a Marte em 2020 e a outros planetas como Júpiter em 2030. Este ano, os astronautas chineses poderiam também pisar na Lua, e, a partir daí, construir uma base lunar para alcançar Marte em 2050.

Com seu programa espacial, Beijing persegue vários objetivos: o impulso científico que significa para o país, a busca de novos recursos minerais e energéticos, o reforço de sua posição como potência mundial e as possíveis aplicações militares. O programa chinês está sob o guarda-chuva do Exército Popular de Libertação, de onde procedem seus chefes e astronautas.

Tradução: Eloise De Vylder

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