UOL Notícias Internacional
 

16/02/2010

Governo italiano promete expulsar "casa por casa" imigrantes ilegais de Milão

El País
Miguel Mora
Em Roma

Via Padova, bairro multiétnico da periferia de Milão situado nas proximidades da praça Loreto, lugar onde foi exposto o corpo de Benito Mussolini em abril de 1945, se transformou na noite de sábado (13) no cenário de uma batalha urbana. O estopim foi o assassinato de um imigrante egípcio de 19 anos, esfaqueado durante uma briga, segundo as autoridades, por um grupo de latino-americanos ainda não identificado.

Os norte-africanos, que formam o coletivo mais numeroso do bairro, reagiram revirando carros e incendiando o imobiliário urbano durante várias horas. A polícia deteve 39 magrebinos pela guerrilha, mas apenas quatro ficaram detidos.

Enquanto as forças da ordem procuram os autores do homicídio, a revolta acende mais uma vez a polêmica política sobre a imigração. Enquanto a Liga Norte, que governa o país e a prefeitura de Milão com o Povo da Liberdade (PDL), prometia "controles e expulsões casa por casa, apartamento por apartamento" nos bairros de imigrantes da cidade, Maurizio Gasparri, porta-voz dos senadores do PDL, arremeteu contra "os ingênuos de esquerda que fazem elogios demagógicos à integração". O governo, afirmou Gasparri, "manterá sua linha de firmeza e não tolerará guerras étnicas". "Tiraremos a residência e expulsaremos imediatamente os violentos (...) Há necessidade de medidas drásticas. Aplicaremos a tolerância zero aos que destruírem nossas cidades."

Utilizando o tom habitual na maioria do governo, Gasparri afirmou que "a violência racista não é compatível com as regras italianas da democracia, da legalidade e da tolerância", e defendeu a devolução de imigrantes em alto-mar posta em prática em julho passado depois da assinatura do pacto com a Líbia. Segundo a Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) e outras organizações de direitos humanos, essa política é ilegal porque viola as normas internacionais sobre o direito de asilo.

Menos evasivo que em outras vezes, o líder do Partido Democrático, Pierluigi Bersani, afirmou que "os gravíssimos distúrbios demonstram que a política de segurança do governo fracassou", e acusou o Executivo de Silvio Berlusconi de tratar a imigração como mero assunto eleitoral: "Preferem cultivar os problemas dos imigrantes para obter votos, mais que enfrentá-los com serenidade e resolvê-los".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h10

    0,06
    3,138
    Outras moedas
  • Bovespa

    16h18

    -0,18
    75.851,14
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host