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20/02/2010

Conservadores discutem vias para alcançar o poder nos EUA

El País
Antonio Caño
Em Washington (EUA)

Estimulada pela pujança de um movimento que hoje domina a vida política nos EUA, a extrema-direita americana se reúne neste fim de semana em Washington em uma conferência que pretende impor o controle sobre o Partido Republicano e decidir a sorte das próximas eleições. O objetivo dessa conferência é transformar o que até agora é um movimento disperso em uma força coesa capaz de alcançar o poder.

  • Robert Giroux/Getty Images/AFP

    Ex-governador Mitt Romney, um dos ícones dos conservadores norte-americanos e o mais convincente candidato presidencial republicano até agora, participa de encontro em Washington

O encontro ocorre na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), uma instituição que se reúne anualmente com o fim de discutir e atualizar o ideário conservador. No ano passado, poucas semanas depois da posse do presidente Barack Obama, essa conferência foi um cemitério no qual o abatimento geral fazia prever uma longa fase de depressão.

Apenas um ano depois, a reunião se encheu de nova energia e novos rostos, que anunciam, como dizia na sexta-feira John O’Hara, um dos organizadores da recente convenção dos Tea Party, "a vitória desta contrarrevolução".

De quinta-feira até sábado, participam da conferência os novos heróis da direita como Scott Brown, recém-eleito senador por Massachusetts, e Dick Armey, o presidente da FreedomWorks - o embrião dos Tea Party -, alguma velha lenda como o ex vice-presidente Dick Cheney, e um símbolo do futuro imediato, o ex-governador Mitt Romney, o mais convincente candidato presidencial republicano até agora.

Abriram e fecharam as sessões duas grandes figuras em ascensão: Marco Rubio, um jovem ultracatólico de origem cubana que pode ser o próximo senador da Flórida, e Glenn Beck, o pitoresco apresentador de televisão que se transformou no galvanizador, símbolo e porta-voz de todo esse movimento. Rubio entusiasmou a platéia quando proclamou: "Nossos direitos não emanam do Estado, emanam de Deus".

Entre as ausências, a mais destacada é a de John McCain (ex-candidato republicano à presidência), uma das feras pardas desses grupos. Sua filha Meghan também suspendeu na última hora sua participação. Sarah Palin (última candidata republicana à presidência) decidiu não participar para não se exceder em protagonismo, mas seu espírito está presente nos salões do hotel onde se realizam as sessões e não se descarta ainda uma visita de surpresa.

A conferência é dividida em sessões de trabalho destinadas a temas como os seguintes: "o sigilo de Obama: como encontrar os arquivos que o governo esconde", "a luta contra a tirania de Washington", "a resistência aos arrecadadores de impostos", "como salvar a liberdade ameaçada", "a guerra à imigração ilegal", "a rendição de Obama diante da jihad e de Ahmadinejad". Enfim, tudo gira em torno de uma oposição radical a Obama, um ódio feroz ao aparelho de Estado e uma suposta defesa dos supostos valores tradicionais americanos diante da pretensa ameaça das elites culturais, os grandes meios de comunicação, Hollywood, os imigrantes e as influências estrangeiras.

Mas o assunto central do debate é a forma de conciliar a plataforma radical do movimento Tea Party com as necessidades do Partido Republicano. Em vários estados, os Tea Party apoiam para as eleições legislativas de novembro candidatos diferentes dos que oficialmente são apoiados pelos republicanos. Uma das opções defendidas nesta conferência é a de simplesmente cortar todos os laços com o partido e apresentar candidatos em listas próprias. Mas a que mais parece prosperar ultimamente é a de tentar conciliar interesses em plataformas e com candidatos conjuntos. Os Tea Party também não aceitam ser simplesmente absorvidos pela estrutura do partido.

"Não precisamos nada deles (os republicanos), não lhes pertencemos. São eles que têm de vir a nós e demonstrar que merecem nossa confiança", advertiu Dick Armey. Como explica o veterano comentarista conservador Patt Buchanan, "esta conferência é como os comissários do Exército Vermelho: puseram uma metralhadora na retaguarda e vão disparar contra todo soldado que fugir; nenhum republicano que vote por mais impostos voltará para casa ileso". O representante máximo do partido na reunião, John Boehner, líder do grupo republicano na Câmara dos Deputados e um conservador sem hesitações, garantiu que sua organização não vai tentar cooptar os Tea Party. "Enquanto eu for seu líder, vamos respeitá-los e caminhar junto com eles."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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