UOL Notícias Internacional
 

20/02/2010

Golpe de Estado no Níger acentua a instabilidade no Sahel

El País
Em Madri

O golpe de Estado no Níger adiciona, pelo menos em um primeiro momento, certas doses de caos e instabilidade em um país, e inclusive na região do Sahel, açoitado por tensões étnicas com os tuaregues, por todo tipo de tráfico ilícito e pelo terrorismo do ramo magrebino da Al Qaeda.

  • Arte UOL

O presidente Mamadú Tandja, que impôs em 2009 uma modificação da Constituição para prorrogar seu mandato por pelo menos três anos, foi derrubado na quinta-feira por um conselho militar que proclamou sua intenção de restabelecer a democracia.

O golpe deixou três mortos, mas na sexta-feira o país permanecia em calma. O presidente e vários ministros estavam detidos em diversos edifícios oficiais mas eram bem tratados, segundo um porta-voz militar.

A embaixadora da Espanha em Niamey, María Soledad Fuentes, levou a sério o anúncio da volta à democracia. "O golpe, embora não seja agradável que as coisas aconteçam assim, talvez ajude a voltarmos a uma via mais democrática", declarou na sexta-feira à Rádio Nacional da Espanha.

Os 60 espanhóis residentes em Níger, na maioria missionários e cooperantes, "estão bem", ela acrescentou. Dos 2 mil ocidentais residentes no Níger, 75% são franceses.

A democracia, e sobretudo a estabilidade, são indispensáveis para o avanço econômico de um país que figura em último lugar no índice mundial de desenvolvimento humano estabelecido pela ONU.

O Níger é potencialmente rico, mas seus 15 milhões de habitantes vivem em uma pobreza angustiante. A fome se instalou em 1972, 1984 e 2005 sobre sua população rural. Este ano novamente cerca de 3 milhões de pessoas estão ameaçadas pela crise alimentar.

No entanto, o país é o terceiro produtor mundial de urânio - mais de 3 mil toneladas em 2008 - e pretende se transformar no segundo, logo atrás do Canadá. De suas minas se extraem 10% da produção mundial de carvão.

A suas minas históricas de urânio em Arlit e Akouta - esta última explorada por uma companhia que tem 10% de participação da empresa pública espanhola Enusa - está se acrescentando agora a de Imamouren.

Depois de anos de disputas com o presidente Tandja, a multinacional francesa Areva fez as pazes em 2009 e assinou um acordo para explorar essa nova mina de urânio. E investirá 1,2 bilhão de euros para transformá-la na segunda do mundo, depois da canadense de McArthur River, da qual espera extrair 5 mil toneladas por ano.

A Areva produz hoje a metade do urânio do Níger, que representa 70% das exportações do país. A multinacional emprega 2.500 pessoas, mas empresas canadenses e chinesas tentam - a Tandya as ajudou nessa tarefa - cortar sua hegemonia.

Além de urânio e carvão, o subsolo do Níger contém fosfatos, ouro e estanho, entre outros minerais.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    09h39

    0,11
    3,153
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    -0,24
    65.179,92
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host