UOL Notícias Internacional
 

21/02/2010

Demanda por antigripais incentiva farmácias ilegais na internet

El País
Carmen Girona
Em Madri (Espanha)

Comprar medicamentos pela internet é um jogo de azar no qual se tem de 50% a 90% de chances de que os produtos adquiridos sejam falsos. O tema é de especial relevância porque, na melhor das hipóteses, os remédios falsos são apenas ineficazes; na pior, podem provocar a morte. A venda pela internet segue os modismos da saúde pública. No ano passado, os antigripais (principalmente o Tamiflu, verdadeiro ou falso) foram os mais vendidos.

Tomando como medida os únicos dados disponíveis as apreensões nas alfândegas, o fenômeno teve um crescimento incomparável. Em 2005, 560 mil embalagens foram retiradas de circulação na UE. Dois anos depois, foram mais de 4 milhões. E isso porque ainda não havia começado o alerta por causa da nova gripe e a onda de temor que houve em alguns países, no final de 2009, de que não houvesse medicamentos suficientes para todos.

  • Mark Lennihan/ AP - 21.mar.2006

    Apreensões de medicamentos aumentaram sete vezes em dois anos na União Europeia

Segundo o estudo Cracking Counterfeit Europe (algo como “Desativando as Redes de Medicamentos Falsos na Europa”) apresentado na terça-feira (16), a Espanha é o quarto país europeu, depois da Alemanha, Itália e Noruega, que mais adquire medicamentos através de meios inadequados ou ilícitos, como comprar medicamentos sem receita na farmácia, comprar em academias, discotecas ou pela internet. O trabalho teve como base 14 mil questionários digitais, validados pela empresa de pesquisa de mercado britânica Nunwood, e elaborada pela Toluna seguindo os critérios de população da base de dados Eurostat e uma seleção de entrevistados segundo as normas do certificado de qualidade online Esomar. Foi financiado pela Pfizer, uma companhia sempre muito interessada por conta do prejuízo que essas vendas causam a um dos seus principais produtos, o remédio contra a disfunção erétil sildenafila (Viagra).

Da pesquisa, realizada entre outubro e novembro de 2009, desprende-se que os medicamentos que mais foram adquiridos foram os para a gripe (59,2%), seguido dos comprimidos para emagrecer e dos remédios para deixar de fumar (16,8%) e para a dor crônica (16,1%). Os remédios contra a impotência ficaram em quarto lugar (14%).

Da mesma forma, os principais motivos divulgados aos compradores são que os medicamentos adquiridos assim são mais baratos, que não podem ser comprados no próprio país (pelo menos sem receita), e que é “mais prático e mais rápido” que os meios convencionais. Os homens compram mais medicamentos que as mulheres.

Entre os entrevistados que admitiram ter adquirido medicamentos por canais não estabelecidos, 24% detectaram que o remédio era falso, 40% consideraram que o remédio não funcionou e 37% afirmam que não foi seguro.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que a venda de medicamentos falsos alcance os US$ 75 bilhões em 2010 (cerca de R$ 136,6 bilhões). E desse total, segundo o estudo, o mercado espanhol poderia alcançar os € 1,5 bilhão (R$ 3,68 bilhões) anuais. E isto considerando que a Espanha é um dos países com a maior oferta pública de medicamentos (o Estado paga mais de 80% da fatura farmacêutica e todos os remédios distribuídos por hospitais públicos). Por sua vez, a venda de medicamentos pela internet é ilegal, a menos que se trate de compras em endereços digitais de farmácias legalizadas. Entretanto, é difícil frear o fenômeno porque a livre circulação de mercadorias e o volume do tráfego postal torna impossível inspecionar todos os pacotes que chegam da UE, ou de países como Andorra. Daí que, segundo a pesquisa, mais de um terço das compras de medicamentos pela internet realizadas na Espanha foram feitas por meio de páginas estrangeiras, e 20% aconteceram depois que os consumidores receberam publicidade sobre os medicamentos através de spams.

Nem tudo é para economizar, pelo menos segundo os entrevistados. Cerca de 30% que responderam ao questionário na Espanha afirmaram que desconhecem que o Reductil (um emagrecedor) precisa de receita, 26% no caso do Viagra, 21% em relação ao Cialis (ambos tratamentos para a disfunção erétil), e 19% em relação ao Xenical (outro fármaco usado em dietas de emagrecimento) e 11% no caso do Tamiflu.

Logicamente, o problema é maior em lugares mais restritivos ou onde as ajudas públicas são menores. Assim, enquanto a OMS calcula que nos países mais ricos apenas 1% dos medicamentos consumidos são falsos, nos pobres esta porcentagem chega a 50%.

Tradução: Eloise De Vylder

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