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23/02/2010

Livro explosivo revela o caráter violento do primeiro-ministro britânico Gordon Brown

El País
Walter Oppenheimer
Em Londres

O novo livro de Andrew Rawnsley, um dos comentaristas políticos britânicos com melhor acesso ao Partido Trabalhista, ameaça se transformar em uma bomba política, ao expor com detalhes o caráter violento de Gordon Brown e as lutas internas no gabinete e no partido depois da chegada do atual primeiro-ministro em Downing Street.

Rawnsley, que em 2000 retratou a rivalidade entre Brown e Tony Blair em "The servants of the people" (Os servidores do povo), detalha agora em "The end of the party" (O fim da festa) os acessos de ira e os abusos verbais do primeiro-ministro, que muitas vezes beiram a violência física. "Não sou perfeito", já admitiu o líder trabalhista em um comício político no sábado (20), na primeira tentativa de conter o golpe. No domingo Downing Street qualificou essas acusações de "maliciosas".

  • Stefan Wermuth/Reuters

    O primeiro-ministro britânico Gordon Brown, em Londres (Inglaterra), durante cerimônia oficial

O jornal dominical pró-trabalhista "The Observer" publicou também no domingo longos trechos do livro, coincidindo com um relançamento do diário. Rawnsley se baseia em mais de 500 fontes, incluindo "virtualmente todos os que se sentaram no gabinete nos anos do Novo Trabalhismo e os mais altos assessores, tanto de Tony Blair como de Gordon Brown".

O texto revela numerosas anedotas que expõem os acessos de ira do primeiro-ministro, tanto contra assessores e funcionários como contra porteiros ou secretárias. Em certa ocasião, empurrou da cadeira uma datilógrafa que escrevia devagar demais e ele mesmo se sentou para escrever o texto. O incidente alarmou tanto o chefe de gabinete, sir Gus O'Donnell, o funcionário mais graduado do governo britânico, que implementou sua própria investigação e instou o primeiro-ministro a mudar de comportamento. "Essa não é a forma de pedir que se façam as coisas", censurou-o.

Uma vez ele agarrou a gola da jaqueta, gritando "Vão procurá-los!", ao assessor que, no final do outono de 2008, acabava de lhe comunicar que se haviam extraviado dois CDs com os dados confidenciais de 20 milhões de britânicos.

Também expõe sua mania de bater com violência no banco dianteiro de seu Jaguar oficial quando recebe más notícias no carro, e sua tendência a marcar o estofamento de couro creme desse mesmo carro com seu grosso marcador preto em seus ataques de raiva. Ou suas repreensões a um dos encarregados de escrever seus discursos, quando se soube que em um dos congressos do partido havia plagiado políticos americanos. Quanto mais confiança com um conselheiro, mais violência em seus abusos verbais. "Por que tenho de me reunir com essa gente de merda?", espetou um assessor que insistia para que fosse tomar café com os embaixadores da União Europeia, que tinham sido convidados para almoçar em Downing Street.

O livro relata em detalhe o naufrágio do prestígio de Gordon Brown no outono de 2007, devido a suas dúvidas sobre a convocação ou não de eleições antecipadas para aproveitar a onda de popularidade que acompanhou sua nomeação como primeiro-ministro alguns meses antes. E também dá conta de seu descida pessoal aos infernos e a deterioração física e psicológica que sofreu ao ver evaporar-se essa popularidade e o Partido Trabalhista afundar nas pesquisas. Ou sobre o golpe palaciano tramado pelo refratário Jack Straw no verão de 2008, abortado pelo próprio Straw ao ver que não tinha possibilidade de se transformar em primeiro-ministro. Ou as tensões entre Brown e um de seus velhos aliados, o titular do Tesouro, Alistair Darling, que em uma crise de governo ameaçou deixar o gabinete se Brown insistisse em colocá-lo em um ministério de menor relevância.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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