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24/02/2010

Lula dá total apoio político e econômico ao regime cubano

El País
Mauricio Vicent
Em Havana
  • O presidente Lula e o cubano Fidel Castro durante encontro em Cuba em 2008

    O presidente Lula e o cubano Fidel Castro durante encontro em Cuba em 2008

O presidente brasileiro evita reunir-se com os dissidentes anticastristas

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou nesta terça-feira a Havana para dar o último apoio ao governo cubano antes de deixar o poder. Trata-se da quarta viagem que realiza à ilha em seus oito anos na presidência, e a visita tem dois objetivos principais: afiançar sua aposta política na revolução castrista, apoiar setores estratégicos da economia cubana, como as infraestruturas ou o petróleo, em momentos em que a falta de liquidez e a crise asfixiam as autoridades da ilha.

Na agenda não há espaço para os dissidentes, o que não surpreendeu, pois Lula é um velho aliado. Talvez o presidente brasileiro não seja tão incondicional quanto o venezuelano Hugo Chávez. Mas está igualmente comprometido com o símbolo da revolução cubana e sempre parece disposto a lhe dar uma mão. Durante anos, antes de ser eleito presidente, Lula viajou a Havana em numerosas ocasiões para se encontrar com Fidel Castro e traçar estratégias. Agora, no final de seu mandato, manterá uma reunião "entre amigos" com o líder comunista, no lugar onde este se recupera há três anos e meio de uma grave doença que o afastou do poder. Também falará com seu irmão Raúl, o herdeiro e atual presidente, com quem acaba de compartilhar uma tribuna na Cúpula do Rio, realizada no México no começo da semana.

Antes do encontro com Fidel, o mandatário brasileiro deverá visitar na quarta-feira as obras de ampliação e modernização do porto de Mariel, a 50 km de Havana, uma empresa de importância capital para o governo cubano que o Brasil financiou com créditos de US$ 300 milhões (cerca de R$ 550 milhões), cerca da metade dos quais já foi desembolsada. O projeto é transformar Mariel - mundialmente famoso como o lugar de onde partiu um êxodo de 125 mil pessoas em 1980 - no principal porto de mercadorias do país, desviando todo o tráfego de Havana.

Segundo o porta-voz de Lula, Marcelo Baumbach, o Brasil já aprovou créditos a Cuba no valor de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 1,8 bilhão), dos quais US$ 350 milhões (cerca de R$ 640 milhões) serão destinados à compra de alimentos e cerca de US$ 600 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) a iniciativas para a produção de arroz e cana-de-açúcar, a construção de estradas e o porto de Mariel. "Desse total, 150 milhões já foram desembolsados. Está em negociação outra parcela de 300 milhões, embora a parte cubana tenha solicitado um extra de 230 milhões. Esta última parte está pendente de questões administrativas", explicou Baumbach antes da visita.

O ministro brasileiro da Indústria e Comércio, Miguel Jorge, viajou a Havana antes de Lula para preparar os novos acordos, assim como o conteúdo da reunião do Grupo de Trabalho Brasil-Cuba, que será encerrada por Lula e Raúl Castro. Jorge já esteve em Havana em julho passado, quando anunciou que, como parte das obras de Mariel, seriam construídos novos acessos por estrada e uma ferrovia, e a baía seria dragada. Durante aquela visita foram firmados convênios para constituir duas empresas mistas, uma farmacêutica e outra para a elaboração de vidros.

Antes de viajar a Cuba, Lula disse que também existiam projetos conjuntos para "recuperar a rede hoteleira e as estradas de Cuba" e indicou que a petroleira brasileira Petrobras também está interessada em construir uma fábrica de lubrificantes em Havana e continuar com os estudos de prospecção em águas profundas de Cuba, onde contrataram vários blocos. No verão a Petrobras inaugurou escritórios em Havana e concluiu estudos sísmicos em águas cubanas do golfo do México, onde a Repsol e outras companhias trabalham há anos.

Politicamente, o apoio de Lula ao governo cubano é absoluto. Pelo menos em público não existem questionamentos sobre a situação dos direitos humanos, nem estão programados encontros com a dissidência - assim como em suas três visitas oficiais anteriores. Não se saberá, provavelmente, em que ficou o pedido que lhe fizeram cerca de 500 presos políticos para que intercedesse por sua libertação. Segundo os dissidentes, Lula pode ser "um magnífico interlocutor para conseguir que o governo cubano decida atacar as reformas econômicas e políticas" de que o país necessita. É óbvio que a via escolhida por Lula é a da cooperação, e não a do confronto.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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