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26/02/2010

Obama se reúne com republicanos e democratas diante de TV para discutir reforma da saúde

El País
Antonio Caño
Em Washington
  • Barack Obama lidera encontro bipartidário para discutir reforma do sistema da saúde nos EUA

    Barack Obama lidera encontro bipartidário para discutir reforma do sistema da saúde nos EUA

Os conservadores exigem a retirada do projeto do Executivo, mas o presidente e seu partido podem aprová-lo usando o procedimento de urgência

Embora organizadamente, Barack Obama e os principais dirigentes da oposição conservadora expuseram na quinta-feira diante das câmeras de televisão ao vivo suas profundas diferenças sobre a reforma da saúde, cujo destino parece destinado a uma solução unipartidária que causará um forte confronto político antes das próximas eleições.

Ao longo de uma sessão de trabalho inteiramente transmitida pela televisão que começou às 10 da manhã e terminou depois das 4 da tarde, ficou patente que os republicanos exigem a retirada dos projetos de lei já aprovados pelo Congresso, como condição para negociar o novo texto de consenso. A maioria democrata, por sua vez, advertiu que nesse caso aprovará a reforma da saúde através de um procedimento legislativo chamado "de reconciliação", que está previsto para as leis urgentes com forte impacto nos orçamentos nacionais e que exige uma maioria simples no Senado, e não os 60 votos necessários no procedimento habitual. Desde as eleições de Massachusetts, os democratas só têm 59 assentos no Senado.

"Esta lei é urgente", afirmou Obama em uma de suas primeiras intervenções, nas quais deixou claro que está disposto a escutar todas as propostas, emendas e contribuições que os republicanos queiram fazer aos projetos em discussão, mas que assumirá o elevado risco de aprovar a lei pelo procedimento de urgência antes de renunciar para sempre à reforma da saúde.

A reunião, insólita na tradição política americana, serviu para que as duas partes expusessem com clareza seus pontos de vista diante da opinião pública. Agora será esta que terá de julgar quem foi mais convincente. A aposta é enorme. Desse veredicto podem depender a avaliação da gestão de Obama, o resultado das eleições legislativas de novembro e talvez o das presidenciais de 2012.

Na reforma da saúde está em jogo, é claro, a solução dos desequilíbrios e carências do sistema de saúde dos EUA. Mas já é só o fundo desse debate. Agora há muito mais sobre a mesa: a autoridade de Obama, que fez dessa reforma seu objetivo prioritário, o prestígio dos republicanos, que podem sair disto reforçados ou demonizados como partido do "não", e a própria governabilidade do país, que tem o direito de se perguntar hoje se seu sistema político é capaz de abordar os problemas da nação.

Tudo isso foi discutido na quinta-feira em torno de uma mesa quadrada na Blair House, um edifício situado justamente em frente à Casa Branca que algumas vezes serve como residência para visitantes estrangeiros. O formato não correspondia à tradição americana, que mantém o presidente fisicamente afastado das câmaras legislativas. Era uma mistura de parlamentarismo europeu com reunião de trabalho de empresa. Cada partido escolheu um grupo de senadores e deputados e todos eles trocaram entre si e com Obama perguntas, dados, críticas e sugestões. Obama abordou os mais minuciosos detalhes sobre custos, coberturas, seguros, prazos... Nem todo presidente poderia ter-se submetido a uma sessão como esta, nem qualquer país poderia abordar semelhante cruzamento de ideias sobre um assunto tão complexo.

Alfinetada

O ex-candidato presidencial John McCain usou seu tempo de fala para denunciar que Obama teria esquecido de “trazer a mudança a Washington”, como prometido em campanha.

“Não estamos mais em campanha. A eleição acabou”, respondeu o presidente ao senador republicano.

“Sou lembrado disso todos os dias”, devolveu McCain.

Obama insistiu que o país precisa de um novo sistema de saúde. Mencionou como prova, entre outras, o fato de que duas em cada três cartas que chegam a seu gabinete pedem isso urgentemente. Mas admitiu que o debate envenenado que se viveu em Washington no último ano desvirtuou esse projeto. "A política terminou por se impor ao senso comum", disse. Agora o assunto dividiu tanto os dois partidos, e a sociedade, que é muito difícil o acordo bipartidário que os americanos querem e o presidente tenta. "Não sei se nossas diferenças podem ser superadas", admitiu Obama, "mas se não, pelo menos teremos esclarecido à população americana sobre o que estamos discutindo."

Os republicanos ofereceram sua face mais moderada. O porta-voz que escolheram é um senador centrista, Lamar Alexander, que reconheceu a necessidade da reforma da saúde mas rejeitou o caminho que a Casa Branca oferece para alcançá-la. "Este país é grande demais, descentralizado demais, complexo demais para que o governo central possa se apresentar como a solução", declarou Alexander.

Quando acabou, Obama tomou a palavra para recriminá-lo pelo negativismo de sua intervenção: "Já escutamos tudo o que não lhe agrada em nossas propostas, mas diga também, para começar a trabalhar, o que lhe agrada, porque tenho certeza de que alguma coisa lhe agradará".

A partir desta sexta-feira se saberá qual dos dois se explicou melhor.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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