UOL Notícias Internacional
 

03/03/2010

Crise faz aumentar rejeição de imigrantes pela população espanhola

El País
Tomás Bárbulo
Em Madri
  • Espanhóis fazem fila em um centro do governo em busca de emprego; crise tem feito aumentar a rejeição de imigrantes por parte da população espanhola

    Espanhóis fazem fila em um centro do governo em busca de emprego; crise tem feito aumentar a rejeição de imigrantes por parte da população espanhola

Conclusões estão no  relatório "Racismo e Xenofobia 2009" do Ministério do Trabalho e Imigração

A crise econômica endureceu a opinião que os espanhóis têm da imigração. Na medida em que se registram os números econômicos, fica mais difícil reconhecer a sociedade tolerante e generosa com os estrangeiros de apenas três anos atrás. Essa é a crua conclusão que se chega depois de examinar as 394 páginas do relatório "Racismo e Xenofobia 2009", editado pelo Ministério do Trabalho e da Imigração. O documento se baseia em uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS na sigla em espanhol) entre setembro e outubro de 2008, apenas seis meses depois do início da recessão.

É cada vez maior o número de espanhóis que pensam que o número de imigrantes é excessivo, que as leis são tolerantes demais com eles ou que os estrangeiros tiram o trabalho dos espanhóis. Para culminar, o estudo adverte que é previsível que, na medida em que continue aumentando o número de desempregados, essas opiniões ganhem mais adeptos. Ou seja, é razoável pensar que a esta altura, mais de um ano depois da realização da pesquisa em que se baseia o relatório, a rejeição contra os imigrantes será maior do que mostram os dados que acabam de ser publicados. Eis alguns deles:

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Há imigrantes demais. Em 1996, somente 28% dos espanhóis diziam que havia estrangeiros "demais". O número cresceu para 60% em 2005. Em 2008, três anos depois, a soma dos que avaliam seu número como "excessivo" e como "elevado" havia disparado para 77%.

Leis tolerantes demais. Essa é a opinião de 42% dos espanhóis (18% a mais que há quatro anos). Somando-se a eles os 32% que as consideram "muito tolerantes", cabe concluir que nada menos que três em cada quatro pesquisados querem uma política de imigração mais rígida.

Freio ao asilo político. Em apenas um ano, mais que duplicou (de 11% para 26%) o número de espanhóis que concordam em receber um número limitado de solicitantes de asilo, mesmo que se tenha comprovado que realmente são perseguidos em seus países.

Expulsão de desempregados e criminosos. Para 68% dos espanhóis, é muito ou bastante aceitável que sejam expulsos "os imigrantes legalmente instalados que cometam qualquer crime". E quatro em cada dez pesquisados se dizem "muito de acordo" ou "principalmente de acordo" com a seguinte afirmação: "Se alguém que vem trabalhar no país ficar desempregado durante muito tempo deve ser expulso".

Cresce a oposição a dar direitos sociais e civis. Cai o número de pessoas partidárias de conceder direitos sociais e de cidadania aos imigrantes, mesmo que estes estejam "instalados na Espanha de maneira estável". Só 55% lhes dariam o direito de voto nas eleições gerais, 69% o fariam nas municipais e também 69% defendem seu direito à obtenção da nacionalidade.

Os espanhóis primeiro. Para 42% dos pesquisados os espanhóis deveriam ter preferência no acesso aos tratamentos de saúde, e um número ainda maior, 55%, é partidário de que tenham vantagem na escolha de colégio para seus filhos.

Trabalho para os espanhóis. Nada menos que 21% consideram "muito aceitável" e outros 39% "bastante aceitável" que os espanhóis tenham preferência no acesso ao mercado de trabalho. O total de partidários dessa discriminação chega, portanto, a 60%. Somente 9% a consideram "nada aceitável" e 23% creem que é "pouco aceitável".

Ajudas demais. Os imigrantes são o grupo populacional que recebe mais proteção do Estado. É a opinião de 58% dos espanhóis (4 pontos a mais que em 2007). E um em cada dois pesquisados afirma que, mesmo que tenham a mesma renda que os espanhóis, recebem mais ajudas de saúde e educacionais.

Os estrangeiros deterioram os serviços. Aumenta a associação entre a imigração e a deterioração dos serviços públicos (saúde e educação), mas também aumenta a opinião de que os estrangeiros deterioram as condições de trabalho, fazem crescer o desemprego e, "ao aceitar salários mais baixos, causam a redução dos salários" dos espanhóis. Pelo contrário, também cresce (em 2 pontos percentuais) o número dos que pensam que os imigrantes "desempenham os trabalhos que os espanhóis não querem fazer".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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