UOL Notícias Internacional
 

04/03/2010

Laser completa meio século como fonte de tecnologias

El País
Mónica Salomone
Em San Diego, Califórnia
  • Centro de Pesquisa Observatório de Paris mostra a instalação de um laser de neodímio

    Centro de Pesquisa Observatório de Paris mostra a instalação de um laser de neodímio

Todo ano são pedidas milhares de patentes ligadas a essa luz

Dois aniversários científicos são comemorados este ano: o do projeto SETI, de busca de vida extraterrestre, e o do laser. Em ambos os casos há 50 velas, mas aí acabam as coincidências. O SETI ainda não tem resultados para mostrar. Em troca, o primeiro laser, nascido em 1960 nos Laboratórios de Pesquisa Hughes, na Califórnia (EUA), pela mão de Theodore Maiman, passou em pouco tempo de uma curiosidade sem aplicações a uma fonte de desenvolvimentos tecnológicos aparentemente inesgotável.

Nas últimas décadas foram pedidas mais de 55 mil patentes relacionadas a ele somente nos EUA, e "o mais surpreendente é que ainda se continuam buscando numerosas aplicações", afirmou Thomas Bauer, diretor do Centro de Pesquisa Fotônica da Universidade Stanford, na reunião anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS na sigla em inglês), em San Diego.

A lista de aplicações é enorme. Com o laser se atingem altíssimas temperaturas, comparáveis às do núcleo solar; e também baixíssimas, dez vezes mais frias que a do nitrogênio líquido - o que permitiu criar um novo estado da matéria, o condensado de Bose-Einstein, no qual os átomos estão congelados. Há lasers de pulsos tão breves que permitem fotografar o movimento dos elétrons nos átomos.

Em biologia, química, física e medicina, o laser foi revolucionário. "Por exemplo, para entender a epidemia de Aids", explicou Bauer: "Em meados dos anos 1980 foram aperfeiçoadas as técnicas para discriminar tipos de células com base no laser; sem elas não teríamos descoberto quais células o vírus infectava".

"É claro que sabia que poderia servir para as telecomunicações e algumas outras coisas, mas jamais poderia ter imaginado o que veio depois", explica Charles Townes, coautor do artigo de 1958 que depositou as bases para a construção do laser, em entrevista distribuída pela Laserfest (www.laserfest.org). Desde que Townes ganhou o Nobel em 1964, mais de uma dúzia desses prêmios foi relacionada ao laser (sigla em inglês de "amplificação de luz por emissão estimulada de radiação"), cuja característica é ser uma luz coerente, com todos os seus fótons na mesma frequência, fase, polarização e direção. Por exemplo, concentra grande quantidade de energia em muito pouco espaço. Também percorre enormes distâncias sem que seu feixe se disperse; um laser de rubi enviado à Lua em 1969 - que refletiu para a Terra em um espelho colocado por Neil Armstrong - cobria uma superfície de apenas 9 km no solo lunar.

O laser de Maiman, o primeiro, se baseava na emissão estimulada de átomos de rubi sintético, e foi tão fácil de construir que em poucas semanas foi replicado em outros laboratórios. A anedota salienta que a visão de futuro é um dom muito raro: antes que a revista "Nature" o publicasse, em 1960, o artigo descrevendo o primeiro laser foi rejeitado "por uma importante revista de física", conta Bauer. "Em princípio, o êxito de Maiman passou despercebido para o público, e nem sequer obteve muito reconhecimento entre a comunidade científica." Em 1971, já existiam as primeiras impressoras a laser, e três anos depois os leitores de códigos de barras.

Na AAAS se olha principalmente para o futuro, em que o laser será uma autêntica salvação, segundo Edward Moses. Ele é o responsável pelo maior laser em funcionamento, o NIF (National Ignition Facility), recém-inaugurado no Laboratório Nacional Lawrence Livermore. Com o NIF, que produz pulsos de quase 2 milhões de joules de energia, espera-se construir "uma pequena estrela", disse Moses. Trata-se de reproduzir a reação de fusão nuclear que gera energia no núcleo das estrelas, para assim dispor de "uma fonte de energia inesgotável, sem problemas de geopolítica, limpa e que não emite dióxido de carbono". O mesmo se procura com o reator de fusão experimental ITER, em construção em Cadarache (França). Segundo Moses, "não são projetos concorrentes", mas ele estima que antes de uma década se terá conseguido que o NIF gere mais energia que a eletricidade que é preciso investir no sistema, enquanto a data desse objetivo para o ITER, ele diz, é "entre 2025 e 2030".

Outros especialistas indicam mais aplicações futuras do laser: análise do genoma humano completo em poucas horas e aparelhos de imagem com resolução capaz de detectar tumores incipientes.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,31
    3,266
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,60
    62.662,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host