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06/03/2010

Reconstrução do Chile põe à prova a capacidade administrativa do presidente eleito

El País
  • Sebastián Piñera (segundo da esquerda para a direita) e a equipe do futuro governo se reúnem com a presidente Michelle Bachelet e seus ministros no palácio de La Moneda, em Santiago

    Sebastián Piñera (segundo da esquerda para a direita) e a equipe do futuro governo se reúnem com a presidente Michelle Bachelet e seus ministros no palácio de La Moneda, em Santiago

O terremoto e posterior maremoto da madrugada de sábado passado interromperam de maneira dramática o sonho de milhares de chilenos e irromperam no processo de transição entre o governo de saída de Michelle Bachelet e o do liberal-conservador de Sebastián Piñera. O Chile aspirava, pelas mãos de Piñera, a continuar escalando postos na economia mundial (hoje ocupa o 45º lugar e a renda per capita mais alta da América Latina).

Esse era o projeto do homem que venceu nas urnas a Concertação, a coalizão de esquerda que governou nos últimos 20 anos e que deixava a credibilidade internacional do Chile e os cofres do Estado na melhor posição para consegui-lo. Hoje, depois da devastação causada pelo cataclismo, Piñera teve de mudar seu programa de governo, que dedicará quase totalmente à reconstrução do país.

Empresário de êxito, tem fama de bom administrador. Esse novo empenho porá à prova sua capacidade e será crucial para amortizar o freio que o terremoto vai representar para o desenvolvimento econômico e social do país.

O tremor de terra com epicentro em Concepción é uma profunda sacudida para o Chile. Para começar, o terremoto e o maremoto deixaram a descoberto fragilidades, como o erro da marinha de não prever o maremoto, o que admitiu imediatamente, ou a precariedade das comunicações. Fragilidades que os governantes terão de reparar.

Mas a dimensão da devastação obrigará o novo governo a desviar muitos recursos para a reconstrução de infraestruturas. A política social adotada pela Concertação e, muito especialmente, pelo governo de Michelle Bachelet, pode ser a primeira grande vítima do abalo no campo orçamentário. Piñera não pretendia jogar fora as conquistas sociais e era muito provável que tivesse mantido uma política continuísta. Agora, o país que recebe é outro e as prioridades, diferentes.

Seu governo terá de devolver ao Chile a confiança em si mesmo para superar as fragilidades agora detectadas e recuperar em médio prazo o impulso do país, o que além de gestão exigirá liderança. O sucesso de seu mandato de quatro anos, sem prorrogação, poderá mostrar para a América Latina esse novo modelo conservador pelo qual optaram os chilenos. Este país marcaria assim a desejável alternância entre dois modelos moderados, ambos alternativos ao neocaudilhismo populista do continente.

Na quinta-feira, a ainda presidente da República Michelle Bachelet deixa o cargo com mais de 80% de popularidade. Esse duro embate da natureza castigou severamente o Chile e é a despedida mais amarga que uma mandatária de seu gabarito poderia esperar. Mas até o momento todos os indícios são positivos. A carreira política de Bachelet não está em questão e o Chile dá mostras de ser capaz de sair garbosamente do desafio.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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