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08/03/2010

Atacante hispano-brasileiro destaca-se no Castilha e vira ídolo

El País
Eleonoroa Giovio
Madri (Espanha)
  • Torcida espanhola faz festa durante final do campeonato espanhol de futebol, em 2008

    Torcida espanhola faz festa durante final do campeonato espanhol de futebol, em 2008

O atacante hispano-brasileiro Rodrigo, de 18 anos, destaca-se no Castilha depois de pular duas categorias em seis meses

Entre comparações e elogios, Rodrigo, o atacante hispano-brasileiro do Castilha, de 18 anos, tem encantado a todos em Valdebebas. No domingo, no estádio Alfredo Di Stéfano, voltou a deixar o público – entre eles Pardeza e Butragueño – e seus companheiros boquiabertos quando, de frente para o gol, meteu um chute de esquerda no ângulo. Ele nasceu no Rio de janeiro, com 11 anos se mudou para Vigo e tem dupla nacionalidade.

Rodrigo mamou futebol desde pequeno – seu pai foi lateral esquerdo do Flamengo e amigo íntimo de Mazinho, com quem montou uma escola de futebol no Círculo mercantil de Vigo. No verão passado chegou às categorias inferiores do Madri, vindo do Celta, e foi para o juvenil A. Seis meses depois, deu o salto (de duas categorias) à segunda equipe, treinou algumas vezes com Manuel Pellegrini, que o levou a Riazor, e foi convocado por Luis Milla, técnico do sub 19.

“Sua progressão é atípica porque é novo na casa. Trouxemos ele do Celta, onde estava desde os 13 anos”, conta Alejandro Menéndez, técnico do Castilha e até o ano passado treinador do Vigo. Lá, Toni Otero, responsável pelas categorias inferiores, não tirava os olhos dele: “tem muita qualidade, é canhoto mas move bem as duas pernas. Define bem, é rápido e sabe jogar muito bem de costas”. Miguel Pardeza, diretor desportivo do Madri, concorda: “assombra a sua capacidade para sair da marcação, para finalizar a jogada e entender o jogo”.

“Na jornada 15 tivemos sete empates seguidos. Tivemos oportunidades mas não conseguíamos finalizar. E decidimos usá-lo. Ele trouxe gols, um jogo melhor e agilidade ao ataque”, explica Menéndez. Para o técnico do Castilha, Rodrigo faz lembrar, guardadas as devidas proporções, o jogador Kun Agüero. “Por causa da arrancada explosiva, pelo trem inferior tão forte, e pela facilidade para suportar o choque e chegar com profundidade”. O atacante tem cinco gols e já foi a solução para tirar o Castilha do décimo lugar do grupo 2 da 2ª B.

Rodrigo cresceu vendo Ronaldo e Rivaldo jogarem. Começou como muitos meninos brasileiros, jogando nas ruas, no bairro da Barra da Tijuca. “Na frente do meu prédio tinha uma rua enorme em que não passavam muitos carros, então fazíamos peladas usando uns tamancos como trave”, lembra-se. Diz que teve a sorte de não viver luxuosamente, mas tampouco no meio da pobreza.

Estudou num colégio particular, o anglo-americano. “Comecei como lateral esquerdo, logo fui ponta e, no Flamengo, onde entrei com nove anos, acabei como atacante”, continua. O Flamengo era o time de seu pai, Adalberto, que teve que deixar o futebol por causa de duas graves lesões no joelho. “Meu pai conhecia Mazinho, Donato, Bebeto, Zico e Sócrates... e eu cresci nesse ambiente futebolístico. Alguns iam lá em casa. A primeira memória que eu tenho é o Maracanã. Meu pai me levou com sete anos, o estádio estava lotado e eu fiquei assustado, nunca tinha visto tanta gente gritando”. Seu pai hoje mora com ele num apartamento em Sanchinarro, enquanto a mãe está no Panamá com sua irmã mais nova, em intercâmbio escolar.

Antes do futebol, Rodrigo praticou a natação, o tênis, o vôlei de praia e, sobretudo, o futebol de salão. “Isso é o que faz você adquirir a técnica: jogar em espaços tão pequenos que é obrigado a pensar mais rápido e aprender a controlar a bola”.

Tem o gênio dos jogadorse brasileiros. Ele se associa bem, entende muito bem o jogo, tem chegada, gol, passe. Além disso, cobre toda a linha de ataque. E para uma seleção que busca um estilo de passes, é o jogador ideal”, analise Milla.

Tradução: Eloise De Vylder

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