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09/03/2010

Tecnologia 3D ameaça cinema analógico

El País
Catalina Serra
Em Barcelona
  • Plateia durante sessão em 3D do filme ?Avatar?, em São Paulo; cinema analógico corre risco

    Plateia durante sessão em 3D do filme ?Avatar?, em São Paulo; cinema analógico corre risco

Entre 6 mil e 14 mil salas de cinema poderão desaparecer na Europa em pouco tempo se não derem o salto digital

Acabaram-se os 24 fotogramas por segundo. Definitivamente, a química perdeu a batalha também no cinema. Prevê-se que em 2013 haverá mais salas digitais que analógicas, uma evolução que parecia impensável há poucos anos, quando muitos exibidores ainda desconfiavam da nova tecnologia e alegavam a falta de oferta para resistir a fazer os investimentos milionários necessários para a mudança de sistema.

A hora chegou, e além disso, em alguns países como a Espanha, corre-se inclusive o perigo de ter começado tarde demais. A locomotiva da mudança foi, é claro, "Avatar". O filme de James Cameron provocou uma avalanche de transformações de salas, já que para ter a tecnologia 3D precisavam fazer a passagem para o digital.

Os dados são claros. No quadro da conferência européia sobre os desafios da digitalização, organizada pelo Ministério da Cultura da Espanha, que terminou na última sexta-feira em Barcelona, foi apresentado um estudo realizado pelo Grupo de Estudos sobre o Cinema Europeu e Políticas de Cinema que deixa claro que o processo é incontível. Em 2009 houve um aumento de 84% de digitalização em relação a 2008.

Dentro de uma década quase todas as salas serão digitais, mesmo que alguns países cheguem antes a essa meta. Como os EUA, que começaram antes e levam vantagem não só na exibição como também na produção e distribuição de filmes com essa tecnologia.

"Agora muitas salas da rede Europa Cinemas estão se equipando para poder projetar 'Alice', de Tim Burton, que embora seja um produto americano tem um perfil adequado a nós, apesar de que 85% do que projetamos é cinema europeu ou independente", explicou na última sexta-feira Claude-Eric Poiroux, diretor geral dessa rede que reúne 800 salas em 441 cidades.

"O problema é que se nos equiparmos digitalmente a oferta europeia será escassa e corremos o risco de não poder cumprir nosso objetivo, deixando o cinema europeu marginalizado. Felizmente, parece que Wim Wenders está rodando em 3D e também estão em andamento bons produtos de animação, mas o perigo é evidente."

Corre perigo o cinema europeu, mas também muitas salas pequenas que não terão a capacidade econômica de fazer esse investimento. "Calcula-se que entre 6 mil e 14 mil salas europeias poderão desaparecer se não derem o salto digital", explica Ignasi Guardans, diretor-geral do Instituto da Cinematografia e das Artes Audiovisuais (ICAA) da Espanha.

"Esse é um desafio que todos temos de enfrentar, desde os privados a todo tipo de governo, seja local, autonômico ou estadual. Não se trata só de comprar máquinas, é uma mudança radical no modelo de negócios e no sistema de exibição que pode favorecer um melhor acesso à cultura, se o fizermos bem, ou representar uma perda enorme se fracassarmos. Os que mais sofrerão serão os cinemas das áreas rurais, das cidades pequenas e as salas independentes das grandes cidades."

A transformação, segundo Guardans, representa um gasto entre 100 mil e 120 mil euros por tela (entre R$ 240 mil e R$ 480 mil), e isto vale tanto para os grandes multiplexes como para o pequeno cinema de aldeia. Os ministérios da Cultura e da Indústria ajudarão basicamente através de linhas de crédito. "Haverá algumas ajudas diretas no que diz respeito ao acesso das salas às redes de alta velocidade, já que em breve os filmes serão recebidos através da internet ou satélite, mas para o resto dependerá do tipo de cinema; não é a mesma coisa um pequeno cinema em La Rioja ou um grande grupo empresarial."

A Espanha, ele admite, está começando agora a analisar o problema. Em outros países, como Reino Unido, Noruega, França, Itália ou Alemanha, o debate já começou faz tempo. E as soluções são díspares. A UE estuda alguma medida comum, mas, como advertiu Guardans, "não há receitas mágicas". "Não creio que haja uma só solução para toda a Europa, mas os problemas são comuns e alguma perspectiva comum teremos de ter."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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