UOL Notícias Internacional
 

11/03/2010

Novas colônias israelenses causam a pior crise entre Netanyahu e Obama

El País
Juan Miguel Muñoz
Em Jerusalém
  • O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, durante encontro com o primeiro-ministro de <BR> Israel, Benjamin Netanyahu, durante visita oficial do representante americano ao país

    O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, durante encontro com o primeiro-ministro de
    Israel, Benjamin Netanyahu, durante visita oficial do representante americano ao país

Israel pede desculpas ao vice-presidente Biden pelo plano de moradias em Jerusalém Oriental

Benjamim Netanyahu quebrou o vidro com o cotovelo e teve de entregar ao vice-presidente dos EUA, Joseph Biden, o certificado, sem moldura, que afirma que foram plantadas árvores no monte Herzl em Jerusalém em homenagem a sua mãe, grande admiradora de Israel.

Horas depois, era anunciada a construção de 1.600 moradias na metade palestina da Cidade Santa, para serem habitadas por ultraortodoxos judeus, um desplante calculado por não se sabe que funcionário, em uma conjuntura na qual Washington insiste que palestinos e israelenses retomem as negociações. O vice-presidente condenou a decisão de Israel e devolveu o golpe. O primeiro-ministro israelense e sua mulher, Sara, aguardaram com a mesa posta durante 90 minutos a chegada do político americano para o jantar de terça-feira. A visita oficial de Biden se transformou em fiasco.

A lua-de-mel na relação entre EUA e Israel que desfrutaram quando Ehud Olmert e George Bush governavam seus países terminou. Ninguém pensa que o inquebrantável matrimônio entre os dois Estados possa terminar em divórcio. Mas ninguém duvida tampouco de que as relações passam por um de seus piores momentos, talvez o pior desde que o ex-secretário de Estado James Baker torceu o braço do primeiro-ministro Isaac Shamir - os EUA congelaram as garantias dos créditos que concede a Israel - para que Shamir participasse da conferência de Madri em 1991. E na atual situação a última coisa de que Washington precisa - empenhada em apagar seus fogos no Iraque e no Afeganistão - é que se reavivem as chamas do conflito árabe-israelense.

Deputados do Likud, o partido do primeiro-ministro, afirmaram publicamente que se sentem insultados porque Obama não se dignou a visitar Israel, e estimam que ele é inclinado demais às teses palestinas. A bronca diplomática e protocolar em que se envolveu Biden, amigo pessoal de Netanyahu há três décadas, em nada ajuda a reverter essa impressão. "O vice-presidente veio aqui para tentar restaurar a química entre a Casa Branca e Jerusalém, para aliviar as suspeitas e criar uma relação, talvez um novo começo. E o que aconteceu? Em 15 minutos também o perdemos", escreveu ontem Ben Caspit, analista do jornal "Maariv".

O isolamento de Israel é crescente. A condenação de Biden à iniciativa colonizadora se somou às da ONU e da UE, que qualificou de "ilegal" toda construção israelense em Jerusalém Oriental. Talvez por isso ontem tudo foram desculpas. "Peço desculpas pelo transtorno que este assunto pôde causar", admitiu o ministro do Interior, Eli Yishai, responsável pelo planejamento urbano.

Se alguém não se surpreendeu com as iniciativas colonizadoras israelenses na Cisjordânia ocupada foi o presidente palestino, Mahmud Abbas, que acabou beneficiado pelo incidente. As palavras de Biden na presença de Abbas ontem em Ramallah apontavam um dedo acusador para seu grande aliado. "Cabe a ambas as partes construir uma atmosfera que ajude nas negociações e não a complicá-las... A decisão do governo israelense de promover as novas moradias em Jerusalém Oriental solapa a confiança, essa confiança de que necessitamos agora para iniciar negociações proveitosas", declarou o vice-presidente. Abas intimou Netanyahu a suspender o projeto urbanístico. "Peço a Israel que dê uma oportunidade aos esforços do governo Obama para que tenha êxito." Ele faz isso com convicção nula.

Fontes da OLP afirmam a este jornal que nenhum dirigente abriga esperanças sobre as futuras negociações. É que a tarefa do enviado de Barack Obama ao Oriente Médio, George Mitchell, é ciclópica. Porque se há algo que abunda é o receio e a animosidade entre as duas partes. Diante desse panorama emaranhado, ainda se ignora quando começarão as conversações, em princípio indiretas, entre funcionários de nível médio palestinos e israelenses. O que se sabe é que partirão do zero depois de 20 anos de diálogo frustrado.

A controversa decisão do governo israelense sobre a construção das 1.600 moradias também teve outra consequência indesejada pelo Executivo israelense. Ela achatou, pelo menos no que se refere à divulgação na mídia, o assunto primordial que com toda a certeza Biden e Netanyahu abordaram: o programa nuclear iraniano.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,32
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,56
    63.760,62
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host