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12/03/2010

Biden adverte Israel de que a atual situação é insustentável

El País
Juan Miguel Muñoz
Em Jerusalém
  • O vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden (esquerda), e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, conversam antes de um jantar em Jerusalém na última terça

    O vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden (esquerda), e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, conversam antes de um jantar em Jerusalém na última terça

Palestinos cancelam o diálogo devido às novas colônias

Depois do turbilhão diplomático, as águas voltaram ao seu leito nesta quinta-feira (11). Joseph Biden se despediu de Israel com um discurso na Universidade de Tel Aviv destinado a agradar os ouvidos dos israelenses, que lembram com gravidade do pronunciamento de Barack Obama no Cairo, considerado mais inclinado às teses árabes. "Os EUA permanecem junto com vocês, ombro a ombro, enfrentando essas ameaças (...) Os EUA estão empenhados em impedir que o Irã consiga armas nucleares", enfatizou o vice-presidente americano.

Mas no último episódio da acidentada visita oficial, marcada pela humilhação sofrida pelo hóspede quando Israel anunciou uma maciça ampliação de colônias em Jerusalém Oriental, Biden expressou ideias que representam um aviso aos navegantes israelenses: "A realidade demográfica dificulta que Israel possa ser o lar judeu e um Estado democrático. A situação é insustentável (...) Israel finalmente tem um sócio para a paz".

Também não é possível, na opinião de diversos dirigentes israelenses, conciliar a condição de "judeu e democrático" enquanto persistir a patente discriminação dos palestinos contra os cidadãos israelenses e a ocupação da Cisjordânia, que avança sem freios apesar da promessa de congelamento da construção, cheia de exceções. Porque a situação a que se referiu Biden - a ocupação e o avanço da colonização - não está se revertendo. Avança dia a dia na direção contrária à que Washington diz desejar.

São mais de 50 mil as moradias previstas em diversas fases de planejamento urbanístico, só em Jerusalém. E são mais de meio milhão os colonos judeus que povoam o território ocupado, obstáculo cada vez mais difícil de superar se o que Israel pretende é a criação de um Estado palestino que afaste a ideia de um Estado único entre o rio Jordão e o Mediterrâneo, no qual os árabes muito em breve seriam maioria.

Na opinião de diversos observadores políticos da direita e da esquerda, não é o objetivo de Netanyahu que esse Estado palestino veja a luz. O gabinete do primeiro-ministro israelense divulgou um comunicado em que lamenta que a ampliação de um assentamento seja anunciada quando um mandatário dos EUA pisa em solo israelense.

"Como se o importante fosse o momento, e não a provocação", escreveu ontem o ex-ministro Yossi Sarid. O chefe do Executivo já havia alegado ignorância sobre o polêmico anúncio e disse que não controla as decisões do emaranhado de órgãos envolvidos em uma colonização que continuará, promete o líder israelense. "Não creiam por um instante em Netanyahu. O caos funciona como um relógio", acrescentou Sarid.

Em sua linha de agradar ao público, e ao mesmo tempo enviando mensagens nada gratuitas, Biden insistiu em que "Israel é o melhor amigo dos EUA" e em que Washington encabeça a luta contra "a insidiosa campanha que desafia o direito de Israel a existir", mas rebateu a célebre frase - "Não há um sócio palestino para a paz" - martelada no discurso político. Enquanto os governantes israelenses reiteram que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, é demasiado frágil politicamente e não freia a incitação à violência, o vice-presidente destacava: "Israel finalmente tem sócios que compartilham o objetivo da paz". A citada proclamação cunhada há uma década pelo ex-primeiro-ministro Ehud Barak continua vigente e marcada a sangue e fogo na psique dos governantes israelenses. "É difícil ser um farol quando se está permanentemente em guerra", lamentou Biden.

A visita deixa ao governo Netanyahu um sabor mais acre que doce, em uma conjuntura na qual o Executivo reclama o apoio incondicional de seu aliado para desmontar o programa nuclear iraquiano. Biden também não pode ir embora satisfeito. "O importante é que as negociações [entre israelenses e palestinos] avancem rapidamente", afirmou. "Não podemos retardá-las porque os extremistas exploram nossas diferenças." Uma mensagem dirigida ao presidente Abbas, que na quinta-feira não aceitou o desafio.

Embora muito provavelmente será uma decisão revogada dentro de dias ou semanas, a OLP anunciou que cancelava o início das conversações, depois que a Liga Árabe retirou seu apoio na noite de quarta-feira. "Queremos escutar do enviado de Barack Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, que Israel cancelou a construção das 1.600 moradias antes de começar a negociar", declarou o chefe dos negociadores palestinos, Saeb Erekat.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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