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13/03/2010

EUA aprofundam ofensiva no sul do Afeganistão

El País
Antonio Caño
Em Washington
  • Dois helicópteros escoltam o secretário de Defesa americano Robert Gates após visita no campo onde o exército afegão recebe treinamentos, em Cabul

    Dois helicópteros escoltam o secretário de Defesa americano Robert Gates após visita no campo onde o exército afegão recebe treinamentos, em Cabul

O governo americano, cujos responsáveis máximos pela segurança se reuniram na sexta-feira no "situation room" da Casa Branca em uma longa sessão de trabalho sobre o Afeganistão, decidiu aprofundar o avanço de suas tropas para o sul deste país com o objetivo de ocupar ou cercar a cidade de Kandahar neste verão, de forma paralela às negociações empreendidas pelo presidente Hamid Karzai.

Na reunião, presidida por Barack Obama, o secretário de Defesa, Robert Gates, informou sobre os resultados de sua viagem nesta semana a alguns dos cenários afegãos nos quais se procede atualmente ao reforço de tropas para uma nova ofensiva de grande envergadura. Participaram da discussão a secretária de Estado, Hillary Clinton, o conselheiro Nacional de Segurança, James Jones, o diretor da CIA, Leon Panetta, e os principais responsáveis militares e civis no Afeganistão e Paquistão, entre eles o chefe do comando regional, general David Petraeus, e o chefe da missão afegã, general Stanley McChrystal, este último por videoconferência.

A avaliação que os comandantes americanos fazem dos acontecimentos das últimas semanas no Afeganistão é de que a guerra entrou definitivamente em uma dinâmica favorável: as forças da Otan retomaram a iniciativa, a ofensiva de Marjah foi um sucesso - a cidade, que antes era um bastião taleban, hoje é considerada plenamente sob o controle do governo de Cabul - e os taleban estão na defensiva em todo o sudeste do país. As perspectivas são tão otimistas que o Pentágono admitiu a possibilidade de que o início da retirada de tropas seja antecipado em relação à data prevista, julho de 2011.

Antes disso, segundo os responsáveis militares, é necessário consolidar os progressos alcançados e continuar o avanço. "Estamos em uma área que mais uma vez será muito importante na fase decisiva desta guerra. Mais uma vez vocês serão a ponta de lança", disse esta semana Gates para uma unidade de fuzileiros navais estacionada na região de Kandahar, que dá nome a sua capital e é a segunda maior cidade do país.

Kandahar é uma cidade de cerca de 1 milhão de habitantes, considerada o maior símbolo religioso e centro comercial dos pashtun, a etnia a que pertence a maioria dos taleban. Atualmente está sob o controle das forças rebeldes. Sua queda nas mãos da Otan significaria um golpe talvez decisivo para o rumo da guerra.

Os EUA não vão tentar, porém, um assalto imediato, nem há certeza do que farão mais tarde. Por enquanto, o plano americano é concentrar em seus arredores o grosso dos 30 mil soldados que devem chegar ao Afeganistão nas próximas semanas. Só 6 mil deles já estão no terreno, dos quais 2.500 foram os fuzileiros que iniciaram o ataque a Marjah, há pouco mais de um mês.

A estratégia para a segunda fase dessa ofensiva será diferente. "Não haverá um dia D", advertiu o general McChrystal. "Haverá uma escalada progressiva de medidas de segurança." Na verdade, isso já está ocorrendo. Gates visitou as tropas que fazem parte dessa escalada. O objetivo é criar tal concentração de tropas em torno de Kandahar que torne evidente a situação desesperada dos taleban e a capacidade militar da Otan de entrar na meca espiritual dos pashtun.

Ao mesmo tempo, segundo os planos que Gates discutiu com Hamid Karzai, o presidente afegão tentará fazer progressos em sua proposta de reconciliação nacional. O governo de Cabul confirmou esta semana que no final de abril ou início de maio se realizará uma conferência de paz (o que na língua da região se conhece como "jirga"), da qual participarão líderes de diferentes tribos e autoridades locais, alguns deles contrários a Karzai. O propósito do presidente é que também participem representantes dos taleban, ou pelo menos dos setores que estão dispostos a pôr fim à guerra.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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