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18/03/2010

Esquerda italiana tenta ressuscitar nas regionais

El País
Miguel Mora
Em Roma
  • Berlusconi prevê que possa perder 4 pontos em relação aos 35% das últimas eleições europeias

    Berlusconi prevê que possa perder 4 pontos em relação aos 35% das últimas eleições europeias

A vitória socialista no primeiro turno das eleições regionais francesas devolveu a esperança perdida à centro-esquerda italiana. Em plena travessia do deserto, e à falta de projeto e ideias claras, o Partido Democrata (PD) de Pierluigi Bersani espera que o vento do norte, somado aos escândalos de corrupção, ao caos das chapas irregulares e à crescente divisão da direita, o leve à vitória nas regionais de 28 e 29 de março.

As pesquisas indicam uma melhora do PD e uma provável sanção ao sistema de poder da centro-direita. O primeiro-ministro Silvio Berlusconi prevê que possa perder 4 pontos em relação aos 35% das últimas eleições europeias; o Partido Democrata não parece em condições de superar os 28%. Mas o resultado será medido não tanto pelos votos como pelos êxitos de região em região. Quarenta e quatro milhões de italianos devem renovar 13 governos regionais, 11 provinciais e 1.000 municípios, e a batalha se anuncia apertada.

As últimas pesquisas preveem que a centro-esquerda vencerá em sete regiões, e a coalizão encabeçada por Berlusconi, em seis. Há cinco anos a vitória da União liderada por Romano Prodi foi histórica: 11 a 2 (todas as regiões em disputa, menos o Vêneto e a Lombardia). Depois disso a esquerda ganhou as gerais, mas caiu o governo, Berlusconi arrasou nas gerais de 2008 e hoje Bersani é o terceiro líder que o PD elegeu em 18 meses. Realista e tranquilo, declarou que uma vitória mínima seria um bom resultado.

A direita confia no próspero norte do país, onde a Liga, partido mais antigo e melhor organizado, impõe lei, ordem e xenofobia. O aliado lombardo, que vai liderar a coalizão no Piemonte pela primeira vez, poderia limitar os prejuízos de imagem causados pela vergonha das chapas e o "decretaço" que tentou, sem sucesso, resolvê-la. Para tentar conquistar as regiões vermelhas, Berlusconi escolheu quatro "mulheres agradáveis e boas": Renata Polverini (Lácio), Monica Faenzi (Toscana), Fiammetta Modena (Úmbria) e Anna Maria Bernini (Emília Romana).

Tudo indica que a abstenção aumentará, sobretudo entre os jovens. Certamente menos que na França, já que a Itália é o país europeu que mais vota (71% nas últimas regionais). Berlusconi, temendo a indiferença, chamou "os moderados para que acorram em massa" às urnas, contra "os juízes comunistas e o estado de polícia fiscal que a esquerda quer impor". No sábado vai presidir uma manifestação em Roma pelo "direito ao voto e à intimidade".

Desta vez a justiça e o conflito de interesses são o único tema de uma campanha muito tensa, na qual ninguém fala dos problemas dos cidadãos e que será lembrada pelo veto governamental inédito aos programas de informação política na televisão. A censura e o abuso de poder estão no centro da investigação da promotoria de Trani, cidade da Puglia, que de forma casual captou e gravou, enquanto investigava uma fraude de cartões de crédito, conversas comprometedoras do primeiro-ministro.

Os fiscais grampearam 18 ligações de Berlusconi para um conselheiro da agência reguladora das comunicações, Agcom, e para alguns chefes da RAI (a rádio-televisão pública italiana), nas quais lhes exigia, entre insultos e ameaças, encerrar o programa "Anno Zero" e vetar Eugenio Scalfari e Ezio Mauro (fundador e diretor do jornal "La Repubblica").

O comentário de Mauro Masi, diretor da RAI, depois de ouvir os pedidos do primeiro-ministro, foi memorável: "Isto não acontece nem no Zimbábue". Os promotores declararam o primeiro-ministro suspeito de concussão (obtenção de benefícios mediante abuso do cargo) e ameaças. Entretanto, seu aliado-tubarão, Gianfranco Fini, criou uma corrente dentro do partido chamada Geração Itália. A sensação de crepúsculo e de debandada na chamada "maioria de plástico" é notória. Berlusconi sabe disso e na quarta-feira afirmou: "Os juízes me impedem de falar de meus êxitos e condicionam o voto".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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