UOL Notícias Internacional
 

19/03/2010

EUA e Rússia estão próximos de acordo para limitar armas nucleares

El País
Pilar Bonet
Em Moscou
  • A secretária de Estado norte-americana, <br>Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em Moscou

    A secretária de Estado norte-americana,
    Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em Moscou

Hillary e Lavrov não querem impor uma data para a assinatura do novo tratado para substituir o Start

Os chefes da política externa dos EUA e da Rússia mostraram-se otimistas na quinta-feira sobre a possibilidade de assinar em breve o acordo para substituir o Tratado de Armas Estratégicas (Start na sigla em inglês), documento básico do fim da Guerra Fria, que expirou em 5 de dezembro de 2009. Depois de se reunir na quinta-feira (18) em Moscou, a secretária de Estado Hillary Clinton e seu homólogo russo, Sergei Lavrov, deram esperanças, mas se abstiveram de definir datas para a assinatura do documento que é negociado em Genebra.

Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Dmitri Medvedev, confiavam em um acordo rápido, mas as negociações demoraram por questões de contabilidade e verificação, assim como devido a diferenças de enfoque sobre sua vinculação ou não com os planos americanos para um sistema de defesa antimísseis global.

Às vésperas da chegada de Hillary a Moscou, Boris Grizlov, o chefe do grupo parlamentar do partido Rússia Unida na Duma estatal (com maioria absoluta), declarou que a Câmara não ratificará o acordo a menos que se estabeleça uma vinculação com os planos de um escudo nuclear dos EUA. Washington não aceita essa reivindicação.

Hillary declarou na quinta-feira que os negociadores haviam feito um "progresso substancial" e manifestou que o resultado das últimas rodadas a fazia pensar que "logo chegaremos a um acordo final. (...) Não queremos nos apressar nisto. Primeiro nossos negociadores devem assinar o acordo, anunciar que acabaram as negociações. Espero que em breve nos façam chegar essa informação e então passaremos à questão do lugar e o momento dessa importante assinatura". "Não se devem contar os frangos antes que acabem de ser incubados", exclamou Clinton, usando um provérbio.

"Estamos satisfeitos de como os negociadores cumprem as instruções dos dois presidentes, que controlam esse processo, e existe todo fundamento para supor que chegamos à parte final do objetivo", disse por sua vez Lavrov.

Os EUA esperavam assinar o acordo antes que Obama fosse a Oslo receber o Prêmio Nobel da Paz em 10 de dezembro passado, mas não foi possível porque, segundo o jornal "Nezavisimaia Gazeta", o chefe de governo, Vladimir Putin, insistiu então que os americanos deveriam fazer concessões. Segundo esse jornal, os especialistas russos querem garantias de Washington por temer que depois da ratificação do tratado os EUA retomem seus planos de instalar um escudo antimísseis na Europa. Para a Rússia, a presença de elementos de um sistema antimísseis perto de suas fronteiras é um fator para decidir o número de mísseis que manterá em alerta.

O cenário mais cotado para a assinatura é a conferência internacional sobre o Tratado de Não Proliferação (TNP) que se realizará em Washington em 12 de abril. Obama e Medvedev dificilmente podem pedir que outros Estados não embarquem na corrida da proliferação se não forem capazes de efetuar cortes.

Hillary e Lavrov mantêm suas diferenças sobre o Irã. Na quinta-feira, a americana instou a Rússia a adiar o acionamento da central nuclear de Busher até que Teerã demonstre que não pretende obter armas atômicas. O Irã, ela disse, tem direito à energia atômica civil, mas seria "prematuro" continuar qualquer projeto nuclear antes que comprove a natureza pacífica de seu programa. Antes, em Rostov, Putin havia dito que o Irã acionará seu primeiro reator nuclear neste verão, e a empresa russa Atomstroieksport declarou que espera pôr o reator de Busher em funcionamento em julho. A Atomstroieksport é a responsável por esse reator que a alemã Siemens iniciou nos anos 1970 e abandonou depois da revolução iraniana.

O lançamento de Busher foi anunciado (e adiado) várias vezes. Lavrov disse na quinta-feira que a central está sob controle da Agência Internacional de Energia Atômica e que o projeto tem um papel especial "para garantir a manutenção da AIEA no Irã" e "o cumprimento" por parte daquele país de suas obrigações de acordo com o TNP. Sobre as possíveis sanções ao Irã, o chefe da diplomacia russa disse que estas devem ser orientadas apenas a evitar que Teerã viole o regime de não proliferação. A via diplomática não está esgotada, segundo Lavrov.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h49

    -0,59
    3,131
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h51

    -0,21
    65.044,82
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host