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19/03/2010

Obama adia viagem à Ásia para dar último impulso à reforma da saúde

El País
Antonio Caño
Em Washington
  • O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante palestra sobre a reforma do sistema de Saúde

    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante palestra sobre a reforma do sistema de Saúde

EUA vivem horas de tensão antes da votação prevista para domingo

O adiamento para junho da viagem que Barack Obama previa iniciar no domingo à Indonésia e à Austrália, anunciado na quinta-feira, foi o último indício das horas dramáticas que os EUA viverão em um fim de semana decisivo para a reforma da saúde.

A lei já está redigida. O Departamento de Orçamento do Congresso, um órgão independente, já emitiu seu veredicto sobre a proposta: dará cobertura a 32 milhões de pessoas hoje sem seguro e reduzirá o déficit nacional em US$ 138 bilhões em dez anos. Já há também quase todos os votos necessários para sua aprovação no domingo. Faltam cinco, segundo os cálculos dos meios de comunicação. A temperatura política aumenta em Washington na medida em que se aproxima o grande dia. Muitas coisas dependem da aprovação dessa lei. Muito jogam Barack Obama e o país nessa aposta!

São momentos que entrarão para a história. O longo e duro debate sobre a reforma da saúde, que consumiu as energias do presidente e confrontou a nação durante um ano inteiro, está prestes a terminar. Tudo indica que culminará com a aprovação da lei, mas ainda não há garantias disso. Obama e os líderes democratas no Congresso deverão estar até o último minuto - a votação está prevista para meio-dia na Câmara dos Deputados - buscando os votos que são exigidos para alcançar a maioria: 216.

A Casa Branca decidiu adiar a viagem de Obama à Indonésia e à Austrália com a intenção de que o presidente esteja em Washington no momento culminante da votação e nos importantes dias que se seguirão. Não é uma medida insignificante. O condicionamento da política externa do presidente dos EUA - neste caso trata-se do maior país muçulmano do mundo e de um dos aliados vitais para a segurança na Ásia - à agenda doméstica é um assunto que não passará despercebido nem aos amigos nem aos inimigos de Washington. "O presidente está decepcionado com esse adiamento", admitiu o porta-voz Robert Gibbs.

Ainda restam dúvidas também sobre o procedimento final que será utilizado para aprovar a legislação sobre a saúde. É um assunto importante, já que da transparência do processo dependerá em parte o tom crítico que a oposição utilizará. Já está garantido, em todo caso, que os democratas terão de levar adiante a iniciativa sem um só voto do Partido Republicano, que rechaçou desde o início qualquer possibilidade de conseguir um texto de consenso e que prometeu continuar se opondo até o final, talvez com alguma reclamação sobre a constitucionalidade da lei. "Faremos tudo o que estiver em nossas mãos para tentar que essa lei não passe nunca, jamais", declarou na quinta-feira o líder republicano na Câmara, John Boehner.

O procedimento mais provável para que a lei possa ser aprovada apesar do obstáculo que representou em sua época - a derrota nas eleições parciais de Massachusetts - a perda dos 60 assentos exigidos no Senado é o seguinte: a Câmara dos Deputados votará agora o mesmo texto que foi aprovado pelo Senado antes das eleições de Massachusetts. Dessa maneira, não há necessidade de reconciliar diferentes redações e o projeto se transforma automaticamente em lei. Ao mesmo tempo, o Senado se compromete a aceitar as modificações que os membros da Câmara querem introduzir na lei e a aprová-la imediatamente por maioria simples, quer dizer, com mais de 50 votos.

É um processo complexo que exigiu negociações árduas e retardou o final mais do que Obama teria desejado. Mas a Casa Branca confia que, uma vez que a reforma da saúde seja uma realidade, a polêmica sobre o procedimento será esquecida, as vantagens da reforma se imporão sobre as dúvidas e o presidente recuperará toda a credibilidade perdida.

"Esta é uma reforma que, entre outras virtudes, permitirá controlar a atividade das companhias de seguros e trará maior tranquilidade econômica a todos os americanos", declarou Obama na quarta-feira em entrevista à rede Fox, dirigindo-se exatamente ao público mais hostil à lei.

Mais impacto que as palavras do presidente podem ter os dados do Departamento de Orçamento do Congresso, que atua como árbitro imparcial nesses assuntos. Sua análise da reforma não só confirma que a lei permitirá uma cobertura de saúde praticamente universal, como declara que atuará favoravelmente contra o déficit, permitindo uma redução, de acordo com as projeções atuais, de até US$ 1,2 bilhão nas próximas duas décadas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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