UOL Notícias Internacional
 

20/03/2010

Netanyahu enfrenta desafio de manter um governo de "falcões"

El País
Juan Miguel Muñoz
Em Jerusalém (Israel)
  • Premiê israelense Benjamin Netanyahu fala com jornalistas estrangeiros em Jerusalém, Israel

    Premiê israelense Benjamin Netanyahu fala com jornalistas estrangeiros em Jerusalém, Israel

No bairro de Sheij Jarrah aqui em Jerusalém, cenário toda sexta-feira de manifestações festivas contra a expulsão de palestinos de seus lares, os rostos de sempre, os dos jovens e veteranos ativistas judeus, estavam na sexta-feira à tarde um pouco menos sombrios. No governo israelense, por outro lado, a resolução do Quarteto, tão desfavorável a seus interesses, cheirou a chifre queimado.

"A paz não pode ser imposta de forma artificial e com um calendário irreal. Será estabelecida através de ações e não pela força", declarou o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman. Palavras próprias de uma das cabeças visíveis da extrema-direita em um governo que enfrenta um panorama incerto se seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, for obrigado por Washington a frear a seco a colonização de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia. São muitos falcões, nada predispostos a concessões. Barack Obama está tentando derrubar o governo Netanyahu?, perguntam-se alguns analistas.

Raio-x de Israel

  • Nome oficial: Estado de Israel

    Governo: Democracia Parlamentar

    Capital: Jerusalém

    Divisão administrativa: 6 distritos

    População: 7.233.701

    Idiomas: Hebraico (oficial), árabe (usado oficialmente pela minoria muçulmana) e inglês

    Grupos etnicos: Judeus 76.4%, muçulmanos 16%, árabes cristãos 1.7%, outros cristãos 0.4%, druzes 1.6%, sem especificação 3.9%

    Fonte: CIA World Factbook

O Gabinete de Segurança de sete membros - órgão decisivo em Israel - está cheio de políticos marcados por sinais de identidade idênticos. O ex-chefe do estado-maior, Moshe Yaalon; Benny Begin, filho do ex-primeiro-ministro; o ultraortodoxo Eli Yishai e Lieberman, célebre por sua fobia aos árabes, ou não creem que a paz com os palestinos seja possível ou estimam que no mínimo vai demorar algumas gerações. Também os une sua rejeição absoluta a ceder um centímetro da Jerusalém palestina, cujos planos de colonização colocaram a cidade mais uma vez no foco do conflito.

"O Quarteto está ignorando 16 anos de tentativas israelenses e está dando aos palestinos a impressão de que podem continuar rejeitando as negociações diretas sob falsos pretextos. O governo israelense fez muitos gestos significativos. Agora é a vez de os palestinos demonstrarem que estão realmente interessados nas negociações", afirmou Lieberman. Não é essa a opinião da UE, da ONU, da Rússia e dos EUA, que demonstraram que quando toca a corneta as demais potências se enquadram.

A investida diplomática contra Israel não para há dez dias. Porque se há apenas algumas semanas Hillary Clinton elogiava as iniciativas de Netanyahu sobre o congelamento muito parcial da colonização na Cisjordânia agora os líderes americanos atacam em peso seu aliado natural. O governo tem uma batata quente nas mãos porque desta vez o Quarteto faz recair o ônus da prova sobre o governo israelense.

O ex-diretor do Congresso Judeu Americano, Henry Siegman, escreveu nestes dias: "Nada foi tão prejudicial e animou tanto Israel a desprezar suas obrigações internacionais quanto a noção extravagante dos EUA de que deter o contínuo roubo de território palestino é uma concessão (israelense) que deve ser recompensada pelos palestinos e os países árabes com concessões reais". O Quarteto exige agora que Israel dê o primeiro passo. Por isso se mostrava tão satisfeito o assessor do presidente palestino Mahmud Abbas, Nabil Abu Rudeina: "A declaração do Quarteto está em perfeita harmonia com a posição árabe-palestina".

O prefeito de Jerusalém, o direitista Nir Barkat, disse na quinta-feira que Netanyahu poderia empregar uma fórmula que agrade a gregos e troianos: "Manter o status quo". O que significa? No fundo, que se paralisaria momentaneamente a colonização.

Haverá olhos vigilantes para comprovar se são construídas ou ampliadas colônias judias e se são desmontados os pequenos assentamentos que são ilegais para o próprio Supremo Tribunal israelense. Mas os colonos sempre juram que nada os deterá. Será muito complicado para Netanyahu satisfazer a todos ao mesmo tempo e que seu governo se mantenha incólume.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,27
    3,252
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h23

    1,58
    74.594,62
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host