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23/03/2010

A conservadora Sanín disputará sucessão de Uribe

El País
Pilar Lozano
Em Bogotá
  • Noemí Sanín, candidata a presidência colombiana

    Noemí Sanín, candidata a presidência colombiana

A ex-embaixadora da Colômbia na Espanha ganha as primárias de seu partido

Advogada e economista, 60 anos e um longo currículo: embaixadora da Colômbia na Espanha entre 2002 e 2007; ministra das Comunicações (1983); primeira mulher colombiana a ocupar o comando do Ministério das Relações Exteriores (1991); embaixadora na Venezuela (1990-1991) e Reino Unido (entre 1994-1995 e 2008-2009). Separada, tem uma filha, uma neta, 14 irmãos e 140 primos. Chama-se Noemí Sanín Posada e desde sábado é a candidata do Partido Conservador da Colômbia para concorrer nas eleições presidenciais previstas para 30 de maio.

Há outros seis candidatos na disputa, mas os que têm mais opções de suceder Álvaro Uribe são a própria Noemí Sanín - cujo Partido Conservador faz parte da aliança de governo - e o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, membro do Partido da U. Ambos são uribistas, mas Santos em medida muito maior. E entre ambos há diferenças que parecem insuperáveis. Há pouco tempo Sanín disse: "Sou melhor que Santos em tudo".

Em sua primeira declaração, Sanín deixou claro qual será sua prioridade: "Hoje ganhou a segurança democrática, a segurança de que derrotaremos o terrorismo", comentou depois que soube de sua vitória nas eleições internas do partido. Para trás ficaram cinco dias de incerteza, tensões e acusações cruzadas sobre a transparência do processo, provocadas em grande parte por falhas no sistema de transmissão de dados. A ex-embaixadora na Espanha obteve 1.118.000 votos, com o que superou em 37 mil cédulas o ex-ministro da Agricultura Andrés Felipe Arias, um economista de 36 anos que cresceu à sombra do presidente Álvaro Uribe e que hoje fala, pensa e gesticula como ele. Por isso o chamam de Uribito.

À diferença de seu adversário, Sanín teve tempo, em quase 30 anos de carreira política, para trabalhar no governo de partidos rivais (ministra das Relações Exteriores com César Gaviria e embaixadora em Londres com o também liberal Ernesto Samper), para ser uribista e também o oposto.

Depois de obter o terceiro lugar nas presidenciais de 1998, foi adversária de Uribe nas de 2002 e ficou em quarto lugar. Nessa ocasião chegou a dizer que caso Uribe ganhasse seria como se vencesse o então chefe dos paramilitares, Carlos Castaño. No entanto, meses depois aceitou ser a embaixadora do governo Uribe em Madri. Em sua época foi partidária da primeira reeleição de Uribe, mas nos últimos meses se opôs à segunda tentativa do presidente de se reeleger.

Seus inimigos a acusaram de sempre se colocar na posição mais favorável. Outros também lembram que embora tenha ostentado diversos cargos públicos e ocupado assentos nos conselhos de 48 empresas privadas, até esta semana Sanín nunca tinha conseguido ganhar eleições.

Um dos traços que mais a caracterizam é seu afã de precisão. Poucas vezes um embaixador na Espanha terá feito tanto uso como ela da seção jornalística de Cartas ao Editor para explicar ou corrigir informações sobre seu país.

O analista León Valencia acredita que com a vitória de Noemí Sanín nas internas do Partido Conservador aumentarão as opções de Santos de chegar à presidência, já que segundo o analista Arias acabará abandonando os conservadores para se integrar à lista de Santos.

Arias reconheceu sua derrota em um breve comunicado e felicitou Sanín ("Que Deus a bendiga e ilumine"), mas se negou a responder se apoiará ou não a vencedora.

Resta saber se Sanín conseguirá manter o partido unido, sanando as feridas provocadas pelas eleições internas. Os seguidores de Arias se sentirão à vontade com uma candidata a quem chamaram sistematicamente de desleal e camaleônica?

Sanín concorrerá sem alianças no primeiro turno das presidenciais. Essa é a intenção em um partido que se gabou de ser o mais sólido da coalizão do atual governo. "Não entregaremos o partido a ninguém. Temos 160 anos de história e não vamos perdê-la", disse em fevereiro Andrés Pastrana (1998-2002), o último presidente godo - como são chamados os militantes desse coletivo - quando Arias afirmou que caso ganhe se unirá a Santos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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