UOL Notícias Internacional
 

24/03/2010

Órgãos de chineses executados são usados em transplante

El País
Emilio de Benito
Em Madri
  • Policiais chineses exibem grupo de condenados durante julgamento em Wenzhou, na China. Onze prisioneiros foram executados em decorrência de crimes diversos

    Policiais chineses exibem grupo de condenados durante julgamento em Wenzhou, na China. Onze prisioneiros foram executados em decorrência de crimes diversos

A China é o segundo país que realiza mais transplantes de órgãos por ano, mais de 10 mil, segundo os dados apresentados na terça-feira pelo vice-ministro da Saúde, Jiefu Huang. Mas esse êxito é sobrecarregado por um déficit ético importante, segundo reconheceu o próprio Huang na Conferência Internacional sobre Doação e Transplante de Órgãos, que se realiza em Madri. Ou melhor, por quatro: que 90% dos órgãos de doadores cadáveres (aproximadamente 55% do total, segundo Huang) vêm de executados; a comercialização; o turismo de transplantes; e a falta de uma organização nacional de transplantes e manejo de órgãos.

Huang foi especialmente duro com a questão das execuções. "Não cumpre as práticas e padrões internacionais nem éticas", disse. Mas depois, em conversa com "El País", insistiu que "hoje os órgãos são obtidos depois de se conseguir o consentimento dos réus, ou ,sobretudo, de seus parentes".

Também admitiu que "ainda" existem hospitais que trabalham com redes ilegais de captação de órgãos. "A fome de lucros e a pobreza de algumas pessoas" fazem que estas "possam vender um rim ou uma parte do fígado", ele disse. "A compra é contrária à justiça", afirmou. Mas a persistência dessa prática explicaria em parte a elevada proporção de doadores vivos: 45% do total, segundo dados oficiais, uma proporção que está no nível dos países nórdicos na Europa e muito longe do da Espanha (10%, de acordo com o que diz o responsável espanhol da Organização Nacional de Transplantes, Rafael Matesanz).

Esse tema levou inevitavelmente ao do caso de Óscar Garay, o espanhol que em 2009 se transplantou um fígado em Tianjin depois de pagar cerca de 130 mil euros, segundo declarou a "El País" e saiu publicado no jornal. Sem negar nem afirmar o ocorrido, o vice-ministro se limitou a indicar que "o hospital é um centro de referência de boas práticas", e ressaltou o apoio à reforma empreendida no sistema de doações de órgãos do país desde maio de 2007 pelo diretor do centro, Zhong Yang Shen. Este, em um comunicado entregue a "El País", afirma que o hospital está sendo "acusado falsamente" de traficar órgãos.

Huang, no entanto, admite que esse comércio "ainda existe, mas está se reduzindo". "Vai contra a justiça e a harmonia que caracterizam a sociedade chinesa", disse. Como dados de que essa reforma não vai "muito a sério", Huang se refere à remodelação do sistema hospitalar. "Há dois anos havia mais de 600 centros que faziam transplantes, hoje há apenas 163 que conseguiram o credenciamento correspondente", afirmou.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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