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25/03/2010

Brown inicia campanha com orçamentos para as classes médias

El País
Walter Oppenheimer
Em Londres
  • O primeiro-ministro, Gordon Brown (à esq.), e o ministro das Finanças, Alistair Darling, em Londres

    O primeiro-ministro, Gordon Brown (à esq.), e o ministro das Finanças, Alistair Darling, em Londres

O trabalhismo oferece redução de impostos aos britânicos com menos recursos

Apesar de Gordon Brown ainda não ter anunciado a data das próximas eleições, que são esperadas para 6 de maio, a campanha eleitoral começou na quarta-feira (24). No que pode ser seu último orçamento, o chanceler do Exchequer (ministro das Finanças) e ministro do Tesouro trabalhista, Alistair Darling, apresentou na Câmara dos Comuns um projeto de orçamento muito político, que suaviza a carga fiscal da classe média às custas de aumentar - muito ligeiramente - a dos mais abastados. Isto é, pensando, sobretudo, nas preocupações imediatas do eleitor médio.

Em seu habitual tom cansado, que foge do populismo, mas acabou por lhe dar credibilidade, Darling dedicou a primeira parte de seu discurso a elogiar a maneira como o trabalhismo abordou a crise financeira e a salientar que o Reino Unido estaria muito pior se tivesse ouvido as propostas conservadoras (tories). Mas dando especial ênfase à fragilidade do ambiente econômico internacional e nacional. Não foi um debate meramente acadêmico: a campanha eleitoral promete girar em torno da proposta do Partido Conservador de cortar imediatamente o gasto público para reduzir o enorme déficit orçamentário britânico, ou esperar um ano, como defendem os trabalhistas, para consolidar a recuperação.

Darling avançou um tanto nesse debate na quarta-feira, ao anunciar que a dívida chegará este ano a 178 bilhões de libras (cerca de R$ 478 bilhões), 11 bilhões a menos do que o previsto no outono. Mas, embora tenha mantido a previsão de crescimento para este ano entre 1% e 1,25%, rebaixou em um quarto de ponto a do próximo ano (que fica entre 3% e 3,25%). Uma forma de alertar sobre a fragilidade da recuperação e reforçar sua tese de que não se deve começar agora o ajuste fiscal.

Apesar de manejar um orçamento fiscalmente neutro, Darling encontrou margem de manobra para lançar guloseimas aos eleitores. Tanto aos de esquerda - tirando dos ricos o que dá aos pobres - como aos mais moderados. A eles é dirigida sua proposta de duplicar o atual mínimo isento de impostos para a compra da primeira residência, que fica em quase 280 mil euros (cerca de R$ 670 mil). Como será financiado? Elevando dos atuais 4% para 5% a taxa para compra de moradias de mais de 1 milhão de libras (R$ 2,7 milhões).

Também se dirige à moderada classe média o pacote de ajudas de 2,8 bilhões de euros (cerca de R$ 6,7 bilhões) para as pequenas e médias empresas (PMEs), cortando impostos para 500 mil companhias, duplicando as deduções por investimentos e também as deduções por ganhos de capital aos pequenos empresários. Como serão financiadas estas e outras medidas? Em grande parte graças aos 9 bilhões de euros (cerca de R$ 21,5 bilhões) arrecadados dos bancos pelas garantias públicas concedidas durante a crise financeira e através do imposto aos bônus dos banqueiros da City, uma taxa polêmica que arrecadou 2 bilhões de euros (cerca de R$ 4,8 bilhões), o dobro do previsto. Também anunciou um acordo com os dois grandes bancos britânicos para destinar créditos, sobretudo às PMEs, de pelo menos 65 bilhões de euros (cerca de R$ 156 bilhões).

As ajudas às PMEs foram muito bem recebidas pelas organizações empresariais. "É um orçamento político astuto", sintetizou Richard Lambert, diretor-geral da patronal CBI. A City também recebeu bem a proposta orçamentária. A Bolsa, que havia aberto em baixa devido à redução da classificação da dívida de Portugal, se recuperou com o discurso do chanceler do Exchequer. Não porque apoiem suas cifras de crescimento ou porque creiam que a dívida está sob controle, mas sim aliviados porque os trabalhistas não se lançaram em uma corrida de custosas promessas pré-eleitorais e porque Darling reafirmou sua posição de que, embora apóie uma taxa generalizada aos bancos, e em especial aos mais especulativos, esta deve ser acordada em nível mundial.

Houve outros anúncios com tons eleitorais, como fragmentar em três partes o anunciado aumento do imposto da gasolina, o financiamento de 20 mil novas vagas universitárias ou a criação de um banco para projetos ecológicos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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