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25/03/2010

Liga Norte avança na Itália

El País
Lucia Magi
Em Bondeno (Itália)

A formação política amplia sua zona de influência até o centro do país. O provável sucesso nas regionais reforçará seu peso no governo central

Nascida no final dos anos 80 como um movimento de protesto do norte diante da burocracia e dos desperdícios do Estado centralista, a Liga Norte é hoje a força política mais antiga da Itália, a única que não mudou de líderes, símbolo e nome. Fórmula que ganha não se muda, repetem os fiéis. De fato, é a formação que mais cresceu nos últimos anos, passando de 3,9% nas eleições gerais de 2001 para 10,2% nas europeias em junho passado; é o terceiro partido mais votado pelos italianos e previsivelmente confirmará sua tendência de crescimento nas eleições regionais de domingo.

"Ganhei porque não falo de política no abstrato, mas dos problemas de minha gente. Quando é preciso asfaltar uma estrada se asfalta, sem tantas voltas de palavras", explicou Alan Fabbri, prefeito de Bondeno, povoado da província de Ferrara que simboliza a expansão da Liga: é o primeiro na margem meridional do rio Pó - região historicamente feudo da esquerda -, onde o Carroccio conseguiu conquistar a prefeitura. Enquanto o PDL de Berlusconi parece mais envolvido que nunca nos problemas pessoais de seu líder e a esquerda vem perdendo argumentos, a Liga recolhe votos dos dois lados, fiel a seu antigo lema: "Nem de direita nem de esquerda, só para a frente".

A Liga foi a vencedora moral das políticas de 2008 (seus 8,3% de votos foram determinantes para completar os 37% do PDL), tanto que conseguiu no gabinete de Berlusconi ministérios como Interior, Reformas e Agricultura, postos chaves para trabalhar em seus temas prediletos, a luta intransigente contra a imigração irregular, a autonomia regional e a valorização dos produtos locais. Nestas regionais, conseguiu que a coalizão governamental apresentasse candidatos em regiões tão importantes quanto Vêneto e Piemonte. E sua capacidade de influir na definição dos objetivos do governo pode crescer a partir de segunda-feira. No domingo a Liga joga seu futuro em Roma. Mas trava sua batalha no campo, e não na capital.

Em Bondeno, por exemplo, município de 16 mil habitantes repleto de pomares, granjas de porcos e indústrias químicas, ancorado na "vermelha" Emilia Romana. "Administro com o velho lema da Liga: 'Nós primeiro'", explica o prefeito de 30 anos, engenheiro e baixista por hobby, recém-casado, cara de bom rapaz e cabelos longos presos em rabo-de-cavalo. "Não significa que sejamos racistas, mas que quando há postos de trabalho ou moradias de proteção tenho de pensar primeiro em meus cidadãos, nos que pagam impostos e residem aqui regularmente", argumenta.

O último concurso público para consertar as ruas foi aberto só para os residentes no perímetro municipal. "Por que uma empresa de Nápoles tem de construir aqui? Eu quero aproveitar os recursos de nosso território. Minha decisão levantou críticas na esquerda. Mas as pessoas na rua me agradeceram", diz Fabbri. Sob a tenda onde se realiza a festa do movimento, entre "tagliatelle padane" (prato de massa típico da região), camisetas verdes, música celta e discursos políticos, fala-se em outros "milagres de penetração no muro vermelho".

"O partido comunista ficou preso na ideologia. Nós, ao contrário, temos ideias e as aplicamos. As pessoas que votam em nós sabem o que faremos", disse Angelo Alessandri, deputado, secretário nacional da Liga e candidato a prefeito em Reggio em 2008. Não foi eleito, mas teve um resultado imprevisível. Em Reggio Emilia, cidade medalha de ouro pela resistência ao fascismo, onde a esquerda sempre superou de olhos fechados os 70%, Alessandri beirou os 20%. "Costumava ter 4%, mas o PDL perdeu 5% e o PD, 11%. O que eu ganhei."

Na parte da Via Ceroni em Milão - na zona da Feira, bairro de operários e empregados - organiza-se a distribuição dos observadores para as eleições. Fabio Zanella, 40 anos, está desempregado desde janeiro. "Quando minha fábrica fez demissões temporárias, o único que foi falar com o dono foi o prefeito da Liga, nem os sindicatos moveram um dedo." Por isso Enrico Salerani, operário de 42 anos, se alistou no sindicato local. "Meu lema na campanha para eleger os representantes na fábrica foi: 'Mais dinheiro na folha de pagamento, menos para Roma'. Consegui 30% das aprovações."

A chave do êxito do Carroccio é resumida por Raffaella Piccinni, 35 anos, cujo pai é de Apúlia e mãe do norte, licenciada em filosofia, que se candidatou à vereadora provincial. "Apresentamos cidadãos comuns. Nem o intelectual que gosta do PD nem o filho de papai como são os do PDL. Eu sou uma taxista, e não uma garota de programa."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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