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25/03/2010

Sarkozy mantém sua política de reformas apesar de derrota eleitoral

El País
Antonio Jiménez Barca
Em Paris
  • O presidente francês Nicolas Sarkozy, que afirmou que manterá as reformas econômicas

    O presidente francês Nicolas Sarkozy, que afirmou que manterá as reformas econômicas

O presidente francês anuncia uma nova lei de aposentadorias e a proibição da "burqa"

Três dias depois de sua derrota eleitoral, Nicolas Sarkozy falou e desvendou o enigma. Depois de se reunir com seu novo governo, ligeiramente retocado com novas aquisições destinadas a contentar sua família política, o presidente da República Francesa se apresentou na quarta-feira (24) diante da imprensa e, em uma alocução de 15 minutos lida, estudada, televisada, povoada de suas costumeiras expressões grandiloquentes e sem mediação das perguntas, afirmou que apesar do naufrágio nas urnas e da vitória da esquerda manterá a política e as reformas econômicas pelas quais foi eleito pelos franceses em 2007.

E lançou mensagens com destinatários claros: os agricultores e pecuaristas, que sofreram nos últimos anos a queda dos preços de venda, sobretudo do leite, aos quais afirmou defender mesmo que tenha de enfrentar a própria União Europeia: "Irei até a crise com a Europa se a tendência for a destruição da Política Agrícola Comum. Não deixarei a agricultura francesa morrer". Também se referiu aos que pedem mais segurança nos colégios e campos de futebol, aos quais prometeu resultados: "Os que esperam nisto uma reação de minha parte não sairão decepcionados". E aos partidários da proibição do véu integral para as mulheres muçulmanas nas cidades e aldeias francesas anunciou uma lei próxima elaborada pelo governo.

Em uma palavra: Sarkozy não se dirigiu aos que votaram em massa na esquerda no domingo, entregando-lhe 23 das 26 regiões francesas e mais de 54,6% dos votos, mas aos que considera seus, aos que ficaram em casa (a abstenção chegou a 48,1%) ou o abandonaram para engordar a grande porcentagem da Frente Nacional, que alcançou quase 10%.

"Vocês me elegeram para acabar com um atraso. Por isso iniciamos um período de reformas. Há quem pense que essas medidas não são notadas, mas é porque estamos atravessando uma crise mundial. Eu compreendo sua impaciência. Mas não se pode mudar o rumo por uma eleição. Parar agora equivaleria a arruinar os esforços feitos", declarou Sarkozy.

Em 2007, o atual chefe de Estado se entronizou com um slogan liberal e esclarecedor: Trabalhar mais para ganhar mais. E se dedicou a isso: reformou a lei para não agravar os empresários e empregados que não estivessem de acordo com a jornada de trabalho de 35 horas; estabeleceu um "escudo fiscal" destinado a que ninguém (mas, sobretudo, os que ganhavam mais, aos quais se destinava a lei) pagasse mais que 50% do salário; decidiu cortar o número de funcionários para diminuir o peso e o custo do Estado, etc. Agora, quando a França começa, embora de rastros, a sair da crise, com um crescimento previsto para este ano de 1,6%, um desemprego de 10% que continua subindo à razão de 0,1% ao mês, e depois da derrota eleitoral de domingo, Sarkozy afirma que seu dever é "escutar a mensagem enviada pelos eleitores".

Na sua opinião, isso consiste em não dar golpes de timão: não aumentar os impostos, isto é, manter o "escudo fiscal"; "aliviar as cargas das empresas e trabalhadores"; manter as reformas econômicas e abordar novas (no outono serão modificadas as aposentadorias) e suspender um imposto ecológico, a "taxa do carbono", que muitos industriais e empresários e sua própria formação parlamentar de centro-direita repudiavam.

Nesse sentido, os dirigentes ecologistas denunciaram na quarta-feira a hipocrisia e falta de princípios, no seu entender, de Sarkozy, ao defender há meses um imposto ecológico "para atrair votos" e depois abandoná-lo ao comprovar que a ideia não deu muito resultado. A esquerda em geral foi muito dura com Sarkozy. Acusaram-no de surdez e de indiferença ao resultado das eleições, de afirmar que escuta, mas sem mudar nada, de voltar ao mesmo discurso de três anos atrás e, sobretudo, de pensar mais em sua própria formação do que em um país que sai da crise com muitas cicatrizes nas costas.

O deputado socialista Jean-Christophe Cambadlis afirmou à rede de televisão LCI: "É uma simples operação de reconquista do eleitorado de direita. Ele busca mais isso do que restabelecer a competitividade internacional da França".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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