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26/03/2010

FBI investiga ameaças contra democratas

El País
Antonio Caño
Em Washington
  • O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cumprimenta parlamentadores pouco antes da votação histórica que aprovou a reforma da Saúde no país

    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cumprimenta parlamentadores pouco antes da votação histórica que aprovou a reforma da Saúde no país

Membros do partido receberam cartas intimidatórias por causa da nova lei de saúde. Os republicanos forçam no Senado uma manobra que obriga a Câmara de Deputados a votar novamente uma pequena parte da norma.

A onda de histeria coletiva provocada pelos conservadores contra a reforma da saúde nos EUA alcançou tal ponto que os congressistas democratas pediram proteção ao FBI diante de uma série de atos violentos e ameaças de morte. A tensão em torno dessa legislação histórica se deslocou definitivamente para a rua, onde os dois partidos acreditam que está em jogo seu futuro político por muito tempo.

Pelo menos uma dezena de membros da Câmara dos Deputados comunicaram a seus dirigentes nos últimos dias que receberam ameaças contra eles e suas famílias por terem votado a favor da reforma da saúde. O líder da maioria democrata, Steny Hoyer, reuniu-se na quarta-feira (24), acompanhado de uma centena de membros de seu partido, com responsáveis do FBI para analisar a situação e estudar algumas medidas de proteção.

Hoyer informou que, entre outras precauções, se decidiu dar proteção pessoal a vários membros da Câmara que são considerados particularmente em risco. A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, pediu na quinta-feira (25) a seus colegas republicanos que moderem a campanha de desqualificações e exageros empreendida contra a reforma da saúde para evitar que a tensão atual escale para males maiores.

O líder republicano na Câmara, John Boehner, emitiu um comunicado em que pede que a população mantenha a calma e evite a violência. "Sei que muitos americanos estão indignados com essa lei e sei que os democratas não escutam. Mas também tenho de dizer que a violência e as ameaças são inaceitáveis, que é preciso canalizar toda essa irritação por outros canais e para uma mudança positiva", declarou Boehner.

Esse apelo à serenidade chega provavelmente um pouco tarde. A direita está há semanas incendiando o país e não vai ser fácil agora conter todo o ódio pregado. Os conservadores colocaram esse debate sobre a reforma da saúde como um duelo entre a liberdade e o totalitarismo, e diante dessa opção não é difícil justificar a violência.

Na segunda-feira uma pessoa atirou um tijolo contra os vidros de uma sede do Partido Democrata em Rochester, Nova York, com um bilhete que dizia: "O extremismo em defesa da liberdade não é condenável". Três dias antes haviam sido atacados os escritórios da congressista Louise Slaughter, também no estado de Nova York.

Não é preciso ir muito longe para observar uma ligação entre esses ataques e a última alusão à reforma da saúde feita pelo comentarista Glenn Beck, da Fox News, um dos líderes do movimento radical Tea Party: "Este é o fim dos EUA como os conhecemos".

Centenas de páginas digitais ligadas ao Tea Party ou a milícias de extrema-direita em vários estados estão excitando a população a rebelar-se contra o que consideram um ataque ao coração do modelo de sociedade americano. A própria Sarah Palin pediu em seu espaço no Facebook que "continuem e se recarreguem".

Portanto, não é estranho o estado de opinião que se criou. Uma pesquisa publicada na terça-feira revela que 24% dos republicanos acreditam que Barack Obama é o anticristo, 38% consideram que está fazendo o mesmo que Hitler e 45% estão convencidos de que não é americano; 57% afirmam que é muçulmano e 67% acreditam que seja socialista.

Os democratas confiam em que esse extremismo acabará prejudicando os republicanos nas eleições legislativas de novembro, até quando é possível que se prolongue a disputa sobre a lei de saúde. Obama levou na quinta-feira sua causa a Iowa, onde em 2007 apresentou pela primeira vez seu projeto de reforma. O presidente confia em que com atos populares concorridos como o de quinta-feira e a entrada paulatina em vigor das medidas contidas na lei, os eleitores começarão a distinguir entre os benefícios obtidos e a lenda criada em torno dessa legislação.

Os republicanos não vão facilitar as coisas. "A batalha ainda não começou", disse na quinta-feira o senador de oposição Jim DeMint, o mesmo que predisse que esta reforma seria o Waterloo de Obama. Por enquanto forçaram uma manobra no Senado que obrigou a votar novamente na Câmara o pacote de emendas que acompanhava a lei. Não é um grande inconveniente, mas sim uma prova do duro trajeto que essa reforma terá de percorrer.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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