UOL Notícias Internacional
 

30/03/2010

Editorial: A hora do desarmamento

El País

O acordo entre EUA e Rússia é um primeiro passo necessário para um mundo sem armas nucleares

O acordo de desarmamento nuclear entre EUA e Rússia alcançado agora é o primeiro da época pós-soviética e substitui o que foi assinado em 1991 por Gorbachev e Bush pai. É muito mais que uma nova vitória política para Obama, depois da aprovação da reforma da Saúde. O principal valor do novo tratado, pendente de ratificação pelo Senado americano e a Duma russa, está em confirmar a vigência de um objetivo internacional abandonado desde o fim da guerra fria: impedir o emprego de um armamento capaz de pôr em perigo o futuro da humanidade.

A negociação para estabelecer regras sobre os respectivos arsenais atômicos é só o primeiro passo imprescindível para, depois de criadas as condições de confiança internacional, abordar o horizonte de um mundo livre de armas nucleares. Não é um sonho, como também não era em sua época acabar com as armas químicas. E, com mais razão que no caso destas, trata-se de uma necessidade de sobrevivência.

O novo acordo, mesmo limitado nos números, é crucial em termos políticos e diplomáticos. É verdade que a redução de 30% assumida pelas partes refere-se apenas às ogivas estratégicas mobilizadas, e não às armazenadas. E também que não afeta os arsenais táticos, embora estes se componham de artefatos de potência semelhante aos de Hiroshima e Nagasaki. Não seria razoável esperar que qualquer das duas maiores potências nucleares deteriorasse sua capacidade defensiva justamente quando alguns países aspiram a ter a arma atômica, mas, sim, que lançassem a mensagem necessária para legitimar a posição do desarmamento.

Essa mensagem foi lançada, acentuando as bases para a transcendental revisão do Tratado de Não-Proliferação (TNP) que terá lugar no próximo mês de maio. A reunião que Obama convocou para Washington antes dessa data pretende impedir, por outro lado, que os avanços na contenção da proliferação sejam ameaçados por uma via talvez mais perigosa, como seria a dispersão desse gênero de armas em mãos de atores não estatais, especialmente grupos terroristas.

O discurso que Obama pronunciou em Praga há um ano, reafirmando seu compromisso com o desarmamento nuclear, vai tomando forma e não foi, como se disse, um canto ingênuo, mas uma estratégia diplomática bem concebida e executada com eficácia. As maiores dificuldades para avançar no desarmamento nuclear continuarão no Irã e na Coreia do Norte, não só pelo desenvolvimento sem controle internacional de seus respectivos programas, como pela reação que estão provocando em seu entorno regional, capaz de desencadear uma perigosa corrida. Mas, junto com isso, a revisão do TNP deverá enfrentar um outro problema nunca resolvido e cujo tempo de hibernação parece se esgotar: o que fazer com as potências nucleares que não o assinaram? O caso de Israel é significativo, pois será difícil abordá-lo à margem do programa iraniano.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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