UOL Notícias Internacional
 

08/04/2010

13 mil ligações inundam "linha-direta dos abusos" na Alemanha

El País
Laura Lucchini
Em Berlim
  • Adesivo que diz um coração para as crianças é colado em placa ao lado da igreja do Mosteiro de Ettal, ao sul de Munique, na Alemanha

    Adesivo que diz "um coração para as crianças" é colado em placa ao lado da igreja do Mosteiro de Ettal, ao sul de Munique, na Alemanha

O número de supostos afetados supera todas as previsões.

Mais de 13 mil ligações, procedentes de 2.700 usuários diferentes, congestionaram a "linha-direta dos abusos" criada pela Igreja Católica alemã desde 30 de março passado. Nos primeiros três dias, antes da Páscoa, as linhas foram inundadas por um número inesperado de pessoas que pediam assessoria sobre como romper o silêncio e denunciar as violências.

"Não esperávamos uma repercussão parecida", admitiu Stephan Kronemburg, porta-voz da diocese de Trier, que informou à imprensa sobre os resultados dos primeiros dias de atividade da linha telefônica. Segundo os dados em posse de Kronemburg, o número total de ligações foi de 13.293, procedentes de 2.670 usuários diferentes, já que muitos tentaram contatar várias vezes antes de conseguir se comunicar, pois os telefones estavam ocupados. A equipe encarregada de dar assistência a vítimas e familiares pôde responder até agora a somente 18% dos pedidos de ajuda.

A Conferência Episcopal alemã, ao anunciar o serviço, disse que seria dirigido por psicólogos e assistentes sociais da cidade ocidental de Trier. Entre outras razões, porque o arcebispo dessa diocese, Stephan Ackermann, foi anteriormente designado representante oficial para administrar as crescentes denúncias de pederastia por parte de membros da Igreja Católica.

Os especialistas da equipe conversaram até agora com 394 pessoas, em ligações de vários minutos até uma hora, enquanto outras 91 receberam ajuda através do site ativado pela mesma iniciativa, sempre segundo informações do bispado de Trier.

"A linha-direta funciona como um abre-portas para dar coragem às vítimas, para lhes oferecer uma primeira assessoria", explicou Kronemburg em um e-mail ao "El País", "mas a linha não é um instrumento de investigação", afirmou. Por esse motivo, não se pode dizer com exatidão quantos novos casos foram conhecidos através dela.

A maioria das pessoas que ligaram para o número (0800-1201000) disse ter sofrido abusos sexuais ou ser parente de vítimas; algumas denunciaram violências físicas. Os dados oferecem uma imagem da "dimensão do escândalo", segundo o porta-voz. "Se as pessoas que atendem a esses telefonemas ficarem sabendo de um suposto caso de pederastia protagonizado por um sacerdote em atividade, alertarão a diocese e a promotoria", afirmou.

A iniciativa da linha-direta se inscreve no quadro de uma gestão independente dos casos de abusos por parte da Igreja alemã. O presidente do Comitê Central dos Católicos desse país, Alois Glück, disse em uma entrevista à rádio NDR que "não se trata de esperar que a situação alemã seja solucionada em Roma, trata-se de atuar aqui na Alemanha", afirmou.

Desde o início do ano vieram à luz mais de 300 casos de acusações de abusos físicos e sexuais entre 1951 e 1990 na Alemanha, o país natal do papa. O escândalo chegou a salpicar o próprio pontífice, pelo acobertamento de um padre na diocese de Munique quando ele era arcebispo, e a seu irmão, Georg Ratzinger, por abusos no âmbito do coro de Regensburg quando este último era seu diretor. Com quase dois terços das 27 dioceses da Alemanha afetadas pelo escândalo, a pressão aumenta para romper o que se denominou o "muro de silêncio".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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