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15/04/2010

Barack Obama, o líder que se perfila

El País
Antonio Caño
  • O presidente norte-americano, Barack Obama

    O presidente norte-americano, Barack Obama

Assim como a reforma da saúde define por enquanto - talvez para sempre - a política nacional de Barack Obama, a recente cúpula de Washington ajuda a definir - embora ainda não totalmente - sua política externa.

A grandeza de um presidente dos EUA se decide em ambos os terrenos, sem compensação. Como afirma Peter Rodman em "Presidential Command" [Ordem presidencial], "um presidente que não mostra maestria em política externa ou que decide não se envolver sistematicamente está condenado ao fracasso". Lyndon Johnson não conseguiu que a histórica aprovação da Lei de Direitos Civis compensasse o desastre do Vietnã.

A política nacional se define inexoravelmente em termos ideológicos. Nenhum tecnocrata fará história. Ronald Reagan foi um grande presidente pela consumação de um projeto conservador dominante na sociedade americana até aquela data. Obama tenta ser o grande presidente que conduza o país em torno de um projeto progressista.

A política internacional pode ser definida, por outro lado, em termos ideológicos ou práticos. George Bush pai renunciou a impor a democracia no Iraque para salvar a coalizão internacional que apoiou a Guerra do Golfo, enquanto George Bush filho arruinou todo o prestígio dos EUA em prol de uma ideia, a extensão sem limites do modelo político americano.

"Se é preciso situá-lo em alguma categoria, Obama é mais um realista, um 'realpolitik', como Bush pai", afirma em "The New York Times" Rahm Emmanuel, chefe de gabinete da Casa Branca. Thomas Friedman acredita, pelo contrário, que embora Obama tenha começado enfrentando o conflito do Afeganistão de forma realista, o tempo o transformou em um idealista. Sua estratégia hoje, destaca o colunista, exige a democratização do sistema político no Afeganistão.

Obama não se decidiu ainda com clareza por nenhum dos dois lados. Algumas vezes surge o idealista que promete um mundo sem armas nucleares, e outras vemos o pragmático que relega os direitos humanos para fortalecer as relações com a China. Ainda falta um fato decisivo de categoria semelhante à reforma da saúde para definir com clareza a política externa de sua presidência. Sua aposta na desnuclearização poderia acabar sendo este, mas por enquanto é vaga e distante demais.

A cúpula de Washington, porém, foi o ápice de uma série de êxitos internacionais de Obama, que além de fortalecer sua liderança ajuda a esclarecer seu pensamento.

Obama se decanta para o realismo. Seu papel na cúpula não foi, principalmente, a da referência moral que toca a consciência do mundo, mas a do esforçado intermediário que passa horas ao telefone até construir um consenso difícil. Entende as regras da negociação e o sacrifício do pacto. Para alcançar a atual lua-de-mel com a Rússia, renunciou ao escudo antimísseis na Europa e se esqueceu de convidar a Geórgia para essa cúpula.

Para trazer Hu Jintao a Washington, evitou denunciar a manipulação da moeda chinesa no relatório semestral do Tesouro. Não foram concessões gratuitas: o regime religioso do Irã vive o maior isolamento de sua história, os EUA alcançam os mais altos índices de popularidade e, entre outras coisas, o mundo vive um momento de maior tranquilidade e otimismo. Sua experiência pessoal empurra Obama para o realismo; sua fé nos valores americanos, para o idealismo. Ainda é uma tensão a se resolver.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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