UOL Notícias Internacional
 

20/04/2010

Jovem candidato hispânico ao Senado dos EUA impulsiona a revolução republicana

El País
Antonio Caño
Em Washington
  • O candidato republicano ao Senado pela Fórida, Marco Rubio, durante a conferência de ação política conservadora, em Washington, promovida pelo partido republicano

    O candidato republicano ao Senado pela Fórida, Marco Rubio, durante a conferência de ação política conservadora, em Washington, promovida pelo partido republicano

A audiência de seu giro de ônibus não foi muito numerosa, mas a paixão que ele provoca é considerável. Ainda é difícil saber o verdadeiro valor e o destino final de Marco Rubio. Ele mesmo se confessa surpreso por seu êxito e reconhece que não sabe como tudo isso acabará, mas o certo é que por enquanto é a estrela emergente do Partido Republicano, talvez da política americana, o rosto no qual se reconhece toda uma nova geração conservadora dos EUA.

Seu percurso durante alguns dias desta semana pelo estado da Flórida, onde compete por um lugar no Senado, foi a carta de apresentação de sua candidatura e a primeira oportunidade de se expor maciçamente aos olhos do público. Como político ainda é um desconhecido; como símbolo, alguns o comparam com Barack Obama.

"Não sei se tem qualidades para ser senador; o que sei é que é um rapaz honrado e de princípios sólidos, mais do que se pode dizer da maioria dos políticos", afirma um cidadão de Coral Gables, onde Rubio tem a sede de sua campanha.

É possível que tudo seja um fenômeno conjuntural e passageiro. Talvez Rubio não tivesse chegado até aqui sem a energia que lhe transferiu o movimento ultraconservador Tea Party, que lhe deu abertamente seu apoio. Talvez sua súbita ascensão não seja mais que a prova da ansiedade do Partido Republicano para encontrar uma figura com carisma suficiente para concorrer com o atual presidente. Mas o certo é que alguns levam Rubio muito a sério.

O jornal "The New York Times" publicou em janeiro uma reportagem de capa sobre ele com o título: "O primeiro senador do Tea Party?". Durante seu giro desta semana, amplamente coberto pela rede Fox, um dos jornalistas mais cotados dessa rede, Sean Hannity, o apresentou nos seguintes termos: "É um homem que permaneceu fiel a seus princípios conservadores e, acreditem ou não, seu nome está sendo mencionado como presidente em 2012".

Sarah Palin lhe manifestou em público seu amor. Rudy Giuliani, o ex-prefeito de Nova York, lhe transmitiu seu apoio na corrida para o Senado. Estava anunciado que ontem à noite o principal candidato republicano à presidência, Mitt Romney, lhe expressaria oficialmente seu apoio. A voz mais feroz e conservadora do Capitólio, o senador Jim DeMint, o citou como exemplo da glória que espera o Partido Republicano se seus candidatos não especularem com seus valores conservadores. Mike Huckabee o descreveu assim: "É nosso Barack Obama, mas com substância".

Rubio é um homem tranquilo e tímido, que diz não dar muito ouvido aos cantos de sereia, que evita os jornalistas e se limita a manifestar um grande orgulho por seu país. "Meu avô sabia quantas coisas lhe eram proibidas por ter nascido onde nasceu, mas ele queria que eu soubesse que eu não tinha esses limites, que por ter nascido onde nasci nada me era proibido", disse em fevereiro ao intervir como principal convidado na Conferência de Ação Política Conservadora, em Washington.

Sua família é a principal narrativa de sua campanha. Este giro de ônibus teve de ser reduzido porque Rubio foi obrigado a voltar para casa ao saber do agravamento da saúde de seu pai, doente de câncer de pulmão. "Meus pais nunca foram ricos", disse em seu discurso em Orlando, "mas me ensinaram a acreditar nos meus sonhos."

Os avós e os pais de Rubio nasceram em Cuba e ele, em Miami. Não é o herdeiro mimado da fortuna de um verme, como disseram alguns, caricaturizando sua imagem de rapaz aplicado. Seu pai foi garçom e sua mãe limpava hotéis em Las Vegas. Foi para a Universidade da Flórida graças a uma bolsa desportiva, e acabou se doutorando em direito.

Sua biografia é tão americana quanto a de Obama, mas pelo outro lado. Foi educado muito profundamente na fé católica e no agradecimento ao país que abrigou sua família. Casou-se com uma líder de torcida dos Miami Dolphins, a equipe de futebol americano de sua cidade e, pela mão de um dos personagens influentes da comunidade cubana, a congressista Ileana Ros, logo se transformou no presidente da Câmara de Representantes da Flórida.

Hoje, quando ainda não completou 39 anos, quer devolver aos EUA o favor e está disposto a defender essa sociedade do que entende como um ataque mortal da parte de Obama. No entanto, não costuma mencionar o presidente em seus comícios, nem recorre à linguagem extremista que se escuta de Palin e outros políticos conservadores.

Seu radicalismo - que seus seguidores intuem e aplaudem - limita-se a prometer a defesa, por todos os meios disponíveis, dos três princípios que formam sua ideologia: livre empresa, liberdade individual e a redução ao mínimo indispensável do aparelho do Estado. "Quero ir a Washington para me colocar diante do projeto de Obama e oferecer uma alternativa", repete em seus discursos.

Qual é na realidade essa alternativa ainda não está claro. Os elogios a Rubio são ainda, em grande medida, uma forma de atacar o que será seu rival republicano nas primárias de agosto, o atual governador da Flórida, Charlie Christ. Este pertence a outra época do republicanismo, aquela na qual o Tea Party não mandava e em que se valorizavam os políticos moderados e centristas. Hoje é atacado selvagemente nos principais fóruns conservadores, que querem fazer de sua derrota um exemplo para todos os republicanos moderados.

Christ, um dos governadores mais populares, naufragou em sua carreira quando, poucos meses antes de Obama chegar à Casa Branca, abraçou o presidente em um ato público. Naquele momento, Rubio era conhecido entre um círculo muito reduzido de Miami; hoje está à frente nas pesquisas em mais de 30 pontos.

Sua vitória seria revolucionária em muitos aspectos. Não só porque não pertence ao "establishment" republicano nem ao "establishment" político em geral, mas porque uma estrela latina, mesmo sendo cubana - um grupo com opções e preocupações diferentes das de mexicanos ou porto-riquenhos -, pode gerar certa agitação eleitoral no futuro.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host