UOL Notícias Internacional
 

23/04/2010

Sandinistas atacam pelo terceiro dia o Parlamento da Nicarágua

El País
Carlos Salinas Maldonado
Em Manágua (Nicarágua)
  • Simpatizante da Frente Sandinista de Libertação Nacional participa de protesto em Manágua

    Simpatizante da Frente Sandinista de Libertação Nacional participa de protesto em Manágua

OEA pede que se preserve a institucionalidade do país centro-americano

A tensão se aguça na Nicarágua. Pelo terceiro dia consecutivo, simpatizantes da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), no governo, atacaram na quinta-feira (22) com pedras e bombas caseiras a sede da Assembleia Nacional, onde os deputados de oposição conseguiram entrar escoltados pela polícia. Enquanto o presidente do Legislativo, o sandinista René Núñez, justificava a violência chamando-a de "justa ira do povo", a Organização de Estados Americanos (OEA) emitiu um comunicado em que manifesta sua "profunda preocupação" pelo que ocorre na Nicarágua.

A violência paralisou várias áreas de Manágua. Os grupos de choque da FSLN atacaram na quarta-feira durante sete horas a sede do Movimento Vamos com Eduardo, organização política do ex-candidato presidencial e principal opositor de Ortega, Eduardo Montealegre. No edifício, atacado com pedras e bombas caseiras, encontravam-se 50 pessoas, entre elas 17 deputados nacionais e um deputado do Parlamento Centroamericano. Os simpatizantes do governo incendiaram o veículo de um deputado de oposição, enquanto em áreas próximas desmontaram uma caminhonete do canal 12 da televisão local. Outros dois veículos foram queimados em outras áreas da cidade, incluindo o de um vereador da prefeitura de Manágua.

Enquanto isso, o presidente do Supremo, Manuel Martínez, informou que havia recebido ameaças de morte através de ligações para seu telefone celular. Montealegre criticou o que chamou de papel submisso da Polícia Nacional, a qual deputados de oposição culpam por não controlar a violência iniciada na terça-feira.

Montealegre denunciou o assédio em uma mensagem à nação, na qual classificou a situação da Nicarágua como "ruptura da ordem constitucional" causada pelo presidente Daniel Ortega. "Fazemos um apelo ao presidente da República para que respeite o Estado de direito, que governe democraticamente, que aceite as regras da democracia sob as quais foi eleito e que se resigne a abandonar suas pretensões de reeleição, proibidas por nossa Constituição política", disse Montealegre.

O também deputado de oposição, que acusou o presidente Ortega de dirigir o vandalismo, fez um apelo à OEA para que se pronunciasse sobre a crise política. Montealegre exortou o secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, a "não virar a cara, como fez com a fraude eleitoral", referindo-se às denúncias de uma suposta fraude nas eleições municipais de 2008, sobre as quais o órgão interamericano não se pronunciou.

Na noite de quarta-feira a OEA emitiu um comunicado no qual expressou "profunda preocupação" pela crise, ao mesmo tempo que fez um apelo à preservação da institucionalidade e dos direitos civis. Segundo o comunicado, Insulza insta a "resolver as diferenças políticas, particularmente entre os poderes do Estado, por meio do diálogo e conforme os procedimentos previstos na legislação nacional, especialmente a necessidade de garantir as liberdades e os direitos dos cidadãos e, como parte destes, a integridade física de todas as pessoas".

A violência desatada em Manágua é interpretada por alguns analistas como uma forma de pressão por parte do presidente Ortega para obrigar a oposição a negociar, à beira do caos, a nomeação dos magistrados do Supremo e outros funcionários do Estado. A crise política começou em janeiro, quando o presidente Ortega emitiu um decreto no qual ordena aos magistrados que se mantenham no cargo, apesar de, segundo a lei, ter vencido seu mandato. Esse decreto foi rejeitado pela oposição e criticado por juristas.

"O decreto é uma estratégia de longo prazo para criar as condições para a continuidade de Ortega, e não só para os próximos cinco anos, mas para os próximos 15 ou 20. Esse desespero para manter o poder os levou a cometer atos inverossímeis com as leis e a Constituição", explicou o jurista Oscar Carrión a "El País".

Até agora o presidente Ortega não deu declarações sobre a violência registrada em Manágua. Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores informou que o presidente havia cancelado uma viagem prevista à Bolívia, onde participaria da Conferência Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática, que se realiza na região de Cochabamba.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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