UOL Notícias Internacional
 

27/04/2010

Reforma eleitoral domina a reta final da campanha britânica

El País
Walter Oppenheimer
Em Londres
  • Da esquerda para a direita, o liberal democrata Nick Clegg, o conservador David Cameron e o primeiro-ministro, o trabalhista Gordon Brown, durante o 1º debate televisionado no Reino Unido

    Da esquerda para a direita, o liberal democrata Nick Clegg, o conservador David Cameron e o primeiro-ministro, o trabalhista Gordon Brown, durante o 1º debate televisionado no Reino Unido

Os conservadores voltam a alertar contra os perigos de um Parlamento sem maioria absoluta

Faltando apenas dez dias para os britânicos irem às urnas, a reforma eleitoral defendida pelos liberais-democratas toma conta da campanha. Enquanto o líder liberal, Nick Clegg, voltou a condicionar na segunda-feira (26) suas alianças de governo à adoção de um novo sistema eleitoral, os conservadores de David Cameron redobraram suas advertências contra o perigo de que as eleições não produzam um governo com maioria absoluta.

Com as possíveis alianças de governo e a reforma política dominando todos os noticiários, o trabalhista Gordon Brown tenta de maneira tão desesperada quanto inútil levar a campanha para o terreno que mais lhe convém: as propostas de cada partido nas políticas que, na sua opinião, realmente preocupam o cidadão, como economia, saúde ou educação.

Em um país acostumado a examinar minuciosamente as propostas dos programas eleitorais de trabalhistas e conservadores, a inesperada irrupção de Nick Clegg transformou a campanha e permitiu que os liberais-democratas marcassem a agenda política. No domingo, Clegg lançou a mensagem de que Gordon Brown não será primeiro-ministro se os trabalhistas tiverem a terceira porcentagem de votos, independentemente de qual seja o partido com mais assentos. Uma maneira de evitar a fuga de possíveis votos liberais para o Partido Conservador e de eleitores que querem, sobretudo, tirar Brown de Downing Street.

E também uma forma de encarecer qualquer pacto com os trabalhistas, talvez reclamando o cargo de primeiro-ministro para o próprio Clegg com o argumento de que tem mais apoio popular, mas que o sistema eleitoral o impede de ter também mais escanos. "Ninguém deveria ter a arrogância de começar sobre essas coisas antes de terem ocorrido as eleições. É preciso deixar primeiro as pessoas expressarem sua opinião", respondeu Brown. O primeiro-ministro de saída fez um giro por vários pontos do país, participando de debates diretos com os eleitores. Com o duplo objetivo de parecer mais próximo do eleitorado do que na primeira parte da campanha, na qual esteve, sobretudo, cercado por seus próprios militantes, e de colocar na campanha as preocupações dos eleitores.

Mas o foco do noticiário se manteve no debate sobre a reforma eleitoral e as possibilidades de pactos do governo. Embora tenha insistido em um ato eleitoral em Edimburgo em que Brown não pode continuar em Downing Street "se perder as eleições de forma tão espetacular", Clegg também disse em uma entrevista coletiva que está disposto a trabalhar "seja com quem for, mesmo que seja um homem vindo da lua", desde que aceite os quatro pontos chaves de seu programa eleitoral: fiscalidade, educação, reforma econômica e reforma institucional.

Mas, sobretudo, salientou: "Minha posição é de que, devido às excentricidades e injustiças do sistema eleitoral, mais evidentes que nunca, creio que a reforma eleitoral é o primeiro passo para qualquer governo, seja de que cor for, para restabelecer a confiança do público no sistema político".

David Cameron insistiu, como já havia feito no domingo, que seu partido quer manter o atual sistema. Atacou a introdução de um sistema proporcional, como querem os liberais, com o argumento de que "isso não é pôr o poder nas mãos do povo, mas sim nas mãos dos políticos". Seu argumento é de que agora os eleitores podem derrubar o governo, se assim o quiserem. Isso, que era verdade em um sistema bipartidário, deixa de ser se houver três partidos dominantes. Mas, apesar dessa retórica, Cameron também não se comprometeu na segunda-feira a não reformar em nenhum caso o sistema eleitoral.

Os conservadores voltaram a alertar sobre os perigos de instabilidade política e econômica que o Reino Unido sofreria se das eleições de 6 de maio sair um Parlamento sem maioria absoluta. Na segunda-feira convocaram uma entrevista coletiva dedicada exclusivamente a salientar essa ameaça.

Trabalhistas e liberais-democratas qualificaram de "ataque de pânico" o alarmismo dos tories (conservadores) em um cenário em que todas as pesquisas indicam que não conseguirão maioria absoluta. Mas as pesquisas dos últimos dias também tendem a salientar a consolidação da liderança conservadora na distribuição dos votos e, embora os liberais-democratas mantenham sua força, os conservadores estão aumentando a vantagem sobre os trabalhistas.

Devido exatamente às distorções do sistema eleitoral, são os dois grandes partidos que dividem o grosso dos assentos parlamentares. As últimas pesquisas dão aos tories cerca de 35% dos votos, aos liberais-democratas, 30% e aos trabalhistas, 28%. Com esse resultado, David Cameron poderia formar um frágil governo minoritário. Mas, se seu alarmismo lhe permitir obter alguns pontos a mais às custas dos liberais, estaria beirando os 300 assentos, provavelmente suficientes para governar sem necessidade de um acordo com os liberais-democratas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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