UOL Notícias Internacional
 

06/05/2010

Após carro-bomba, senador propõe que acusados de terrorismo percam nacionalidade americana

El País
Antonio Caño
Em Washington (EUA)
  • Times Square, em Nova York, após ameaça carro-bomba no último sábado

    Times Square, em Nova York, após ameaça carro-bomba no último sábado

"Eu o estava esperando. O que são, policiais ou agentes do FBI?", perguntou Faisal Shahzad aos homens que o detiveram a bordo do avião em que tentava fugir. Seu interrogatório continua com a esperança de saber por que decidiu abandonar o sonho americano pela "jihad", a "guerra santa" islâmica. Enquanto isso, seu caso assumiu um polêmico viés político: o senador Joe Lieberman, apoiado por alguns de seus colegas, apresentou na quarta-feira um projeto de lei para que os acusados de terrorismo sejam privados da nacionalidade americana.

A iniciativa de Lieberman, um independente incluído no grupo democrata que foi companheiro de candidatura presidencial de Al Gore, foi imediatamente apoiado pelo senador republicano John McCain e é possível que receba novos apoios nas próximas horas. Um influente senador democrata, Charles Schumer, disse que parecia "algo que poderia aceitar".

"Todo cidadão americano do qual se demonstre sua ligação com uma organização terrorista estrangeira, conforme os critérios do Departamento de Estado, deve ser privado de seus direitos de cidadão americano", declarou o senador por Connecticut, estado em que residia o suspeito pelo atentado frustrado de Times Square, no centro de Nova York. McCain acrescentou que tanto Shahzad quanto os outros cidadãos americanos que no futuro escolherem esse caminho "devem ser tratados como combatentes inimigos" e entregues à justiça militar.

O governo não compartilha essa opinião. O promotor geral (ministro da Justiça) Eric Holder informou que o detido ouviu seus direitos de cidadão - de manter silêncio e pedir a presença de um advogado -, mas renunciou a eles e está colaborando com os investigadores sem a presença de um advogado.

Por esse motivo foi retardado seu comparecimento diante do juiz que o informará sobre as acusações contra ele. Mas o governo pretende manter o caso dentro da justiça comum, apesar da pressão crescente para que o ponha nas mãos da administração militar.

Faisal Shahzad recebeu o direito à nacionalidade americana há 13 meses, em virtude de ter-se casado com uma cidadã desse país, uma mulher nascida no Colorado mas de origem paquistanesa, como ele. Antes de receber o passaporte, em uma cerimônia em Connecticut na qual jurou respeitar a Constituição dos EUA, Shahzad havia feito com sucesso estudos de computação e finanças, conseguira um bom emprego, frequentava uma academia, comia em bons restaurantes e tinha uma relação correta com seus vizinhos.

Tudo isso desmoronou depois de uma viagem de Shahzad ao Paquistão em abril do ano passado, durante a qual esteve em áreas de forte presença taleban. Essa viagem foi seguida por outras nas quais, segundo ele contou, recebeu treinamento no uso de explosivos e adestramento militar. Sua decisão de colocar um carro-bomba no centro de Nova York, porém, foi estritamente pessoal, sem obedecer a ordens de nenhum grupo paquistanês, segundo sua declaração.

Os investigadores não acreditam nessa versão e, com a ajuda da polícia e dos serviços de inteligência paquistaneses, tentam reconstruir os movimentos de Shahzad em seu país de origem para tentar chegar aos verdadeiros responsáveis por um atentado que, se não tivesse sido descoberto por um vendedor ambulante, poderia ter custado centenas de vidas.

Ao mesmo tempo, as autoridades tentam fechar os buracos na segurança revelados por esse episódio. O governo enviou na quarta-feira às empresas aéreas uma ordem para que revisem a lista de pessoas não autorizadas a abordar um avião no máximo duas horas antes da prevista para a saída do voo.

Dessa maneira se poderia ter evitado que Shahzad embarcasse no avião da companhia Emirates rumo a Dubai, no qual faltaram minutos para conseguir escapar de seu captores. As agências de segurança incluíram o suspeito paquistanês na lista mais de dez horas depois de sua identidade ter sido confirmada, mas seis antes da saída do avião. Quando Shahzad pagou por sua passagem em dinheiro, seu nome já estava na lista de indivíduos perigosos.

O chefe da polícia de Nova York, Ray Kelly, informou na quarta-feira que essa é a décima primeira tentativa terrorista detectada na cidade desde o 11 de Setembro, e admitiu que toda a segurança do mundo não vai impedir que continuem tentando.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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