UOL Notícias Internacional
 

07/05/2010

Ecologistas e pescadores alertam sobre futuros danos com uso de solventes para combater mancha de petróleo

El País
David Alandete
Em Nova Orleans, Luisiana (EUA)
  • Material químico laranja pode ser visto no Golfo do México, uma das maneiras usadas para combater a mancha de petróleo que se formou após a explosão de uma plataforma no último mês

    Material químico laranja pode ser visto no Golfo do México, uma das maneiras usadas para combater a mancha de petróleo que se formou após a explosão de uma plataforma no último mês

Os trabalhos de limpeza do derramamento de petróleo no golfo do México se transformaram em uma grande experiência. A British Petroleum (BP) já injetou até agora 628 mil litros de uma substância química dispersante, Corexit, que segundo alguns cientistas e ecologistas conhecedores da região poderá ter graves efeitos nocivos em longo prazo para o ecossistema do delta do rio Mississípi e as costas do golfo e, consequentemente, para a pesca da qual vive boa parte da região.

As autoridades aprovaram o uso do Corexit por ser um solvente de petróleo de eficácia comprovada. De fato, ele é usado há décadas, mas nunca em escala semelhante. Em 1984 foi dispersado de um avião sobre o Pacífico norte, nas ilhas Farallon, diante de San Francisco, para impedir que se expandisse uma mancha de óleo de 5 milhões de litros que eram transportados pelo cargueiro Puerto Rican. Também foi utilizado para diluir o petróleo derramado pelo navio Exxon Valdez nas costas do Alasca em 1989.

Richard Charter, cientista e assessor do grupo ecologista Defenders of Wildlife, trabalhou no derramamento de 1984. "O que vimos é que em longo prazo o efeito do dispersante com aquele petróleo criou uma espuma muito difícil de limpar em algumas costas. Era muito difícil eliminá-la da areia, por exemplo."

Com os anos, seu fabricante, Nalco, alterou a composição química do produto, que mantém em segredo por razões comerciais. "Este Corexit é diferente, e o petróleo também. Tudo isto é uma grande experiência que não se sabe ainda se vai dar certo." No relatório que a Nalco apresentou às autoridades americanas, cita dois "componentes potencialmente perigosos": o solvente 2-butoxietanol e o anticongelante propilenglicol. "Os potenciais riscos para o meio ambiente são moderados", afirma o relatório oficial enviado ao governo.

O Corexit se mistura com o petróleo e forma uma substância mista que afunda no leito marinho, com dois efeitos: reduz a maré de petróleo na superfície, evitando que contamine as costas e o delta do Mississípi, e a mantém no fundo, onde é mais fácil que seja arrastada pelas correntes marinhas.

O fabricante afirma que a mistura é biodegradável. "Até certo ponto", afirma Paul Orr, coordenador do grupo ecologista Lower Mississippi Riverkeeper. "Com essas substâncias se evita um impacto na superfície e nas costas, mas elas prejudicam o leito marinho, e aquilo de que vivem os moradores do delta: ostras e outros moluscos."

A BP dispersou 605 mil litros de solvente sobre a superfície da mancha e injetou 22.700 na zona do vazamento, a 1,5 km abaixo da superfície do mar. Ontem, quinta-feira, as autoridades haviam ordenado que deixasse de ser aplicado sobre o leito marinho, porque segundo alguns ecologistas representa um risco maior para a fauna do que aplicá-lo na superfície. Mesmo assim, ativistas locais entendem que é um mal menor que pode compensar em longo prazo; deixar o petróleo intacto para armazená-lo ou queimá-lo pode ser mortal para as aves e os mamíferos do delta do Mississípi. Os pescadores do delta temem, porém, que a mistura de petróleo e químicos dizime seu ganha-pão: crustáceos e moluscos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,48
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,53
    75.604,34
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host