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08/05/2010

Morre Umaru Yar'Adua, primeiro presidente nigeriano com diploma universitário

El País
Álvaro de Cózar
  • O presidente da Nigéria, Umaru Yar'Adua, morreu na tarde desta quarta-feira (5) na residência oficial

    O presidente da Nigéria, Umaru Yar'Adua, morreu na tarde desta quarta-feira (5) na residência oficial

"Umaru, onde está você?", os nigerianos perguntavam sobre o paradeiro de seu presidente desde que se soube que tinha viajado à Arábia Saudita para ser atendido em um prestigioso hospital de uma pericardite aguda, no mês de novembro. A pergunta havia chegado inclusive aos cartazes das manifestações nas superpopulosas ruas de Lagos, a capital. Não houve resposta, por isso os nigerianos começaram a especular com a possibilidade de que Yar'Adua estivesse morto. Esse foi finalmente o desenlace, anunciado por fontes do governo. Ele voltou à Nigéria em 24 de fevereiro passado, para morrer.

Com seu falecimento em 5 de maio, aos 58 anos, morre um dos mandatários de perfil mais discreto que governaram este país de 150 milhões de habitantes, o mais populoso da África, embora talvez isso fosse uma qualidade para a Nigéria, onde a maioria dos presidentes foi de militares com certo gosto pelos golpes de Estado e os abusos de poder.

Yar'Adua, de religião muçulmana, nasceu em 16 de agosto de 1951 em uma família aristocrática e das altas esferas políticas do país. Seu pai foi ministro da cidade de Lagos na Primeira República e seu irmão, chefe do Estado-Maior durante a presidência militar de Olusegun Obasanjo, de 1976 a 1979.

Químico de formação e depois homem de negócios, Yar'Adua foi o primeiro membro do esquerdista Partido para a Redenção Popular (PRP) durante a Segunda República da Nigéria (1979-1983); mais tarde se uniu ao Partido Democrático Popular (PDP), uma formação política com a qual se apresentou como candidato para governar o estado de Katsina, no norte da Nigéria, em 1999, informa a agência Efe.

Ele conseguiu, e ganhou fama de honrado e transparente durante os oito anos, de 1999 a 2007, em que ocupou o cargo de governador de Katsina. Por isso o presidente Obasanjo, líder do PDP, o apoiou em sua candidatura para a chefia de Estado.

Localização da Nigéria

Yar'Adua a obteve em 29 de maio de 2007, como o primeiro de todos os presidentes que havia passado pela universidade. Foi o 13º. Já antes de assumir o cargo, sua boa fama não o salvou da polêmica. A primeira coisa que os especialistas políticos criticaram em Obasanjo foi que elegesse um homem frágil fisicamente, pois além da pericardite Yar'Adua também sofria de problemas renais. As eleições foram cheias de irregularidades, mas aceitas pelas exigências de um roteiro que na África costuma buscar a estabilidade acima da democracia. Arrasou com 70% dos votos.

Pouco mais se pode dizer desse homem de 58 anos do qual se esperavam reformas que aproveitassem o pujante poder da economia nigeriana, reduzissem os índices de corrupção do país e a escassez de alimentos entre a população mais pobre. Infelizmente, não teve coragem para realizá-las e sua presidência ficou em mais do mesmo; a Nigéria continuou desempenhando com a África do Sul o papel do Grande Irmão africano, mas sem resolver as enormes desigualdades do país (83% da população vivem com menos de US$ 2 por dia) e dividido em centenas de etnias que se enfrentam por causa da terra ou da religião, com derramamentos de sangue.

Pelo menos Yar'Adua concedeu uma anistia aos rebeldes da zona petrolífera. Muitos entregaram as armas e a violência diminuiu na região.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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