UOL Notícias Internacional
 

08/05/2010

O Mississípi já cheira a petróleo

El País
David Alandete
Em Saint Bernard Parish, Luisiana (EUA)

No delta do rio Mississípi, nos embarcadouros em que a maioria dos barcos está atracada há uma semana devido à impossibilidade de trabalhar, já se sente o cheiro adocicado de petróleo. A mancha cobriu a parte norte das ilhas Chandeleur, a cerca de 40 km daqui, e segundo as autoridades estaduais, que possuem imagens feitas por satélite, o petróleo se aproxima inexoravelmente, com sua cor alaranjada e esverdeada, dos pântanos e lagunas na margem oriental do rio.

Não se pode pescar em águas federais americanas, e o governo da Luisiana proibiu o trabalho em diversos pontos das costas estaduais, afetando principalmente a coleta de ostras. A última proibição surgiu na quinta-feira à noite. O Departamento de Pesca fechou as lagunas a leste do rio para a pesca de camarão, justamente quando começava a temporada.

"Estamos controlando constantemente as águas para fechar as que possam ficar contaminadas para a pesca", afirmou o responsável pelo departamento, Robert Barham. Isso significa mais inatividade e mais frustração para os pescadores, que passaram da incredulidade ao nervosismo.

Na semana passada, muitos acreditavam que a corrente do golfo do México levaria a mancha de petróleo para o sul da Flórida. Hoje, diante das previsões do governo, parece mais um desejo que uma expectativa verossímil. Segundo as estimativas das autoridades ambientais, no domingo o petróleo poderá chegar a manchar diversas lagunas do rio.

Nessa pequena comunidade de pescadores ainda se veem os efeitos do furacão Katrina, de cinco anos atrás: casas destruídas, trailers ocupados por famílias inteiras, cemitérios com túmulos recentes. Antes do Katrina, aqui viviam 67.200 pessoas. Hoje são menos da metade. O dirigente da localidade, Craig Taffaro, reuniu na noite de quinta-feira os pescadores para lhes dar uma má notícia: Saint Bernard pode ter a duvidosa distinção de ser o primeiro ponto em terra firme manchado pelo cru. Segundo ele, a British Petroleum (BP) se preocupou em dispersar os solventes, mas não em proteger os humildes pescadores: "Nossa pesca e nosso sustento em Saint Bernard dependem disso. Eles têm meios mobilizados daqui até a Flórida, mas nenhum em Saint Bernard".

Muitos dos pontos onde se espera ou já ocorreu o impacto, incluindo as ilhas Chandeleur, são hábitats de diversas espécies de aves. Na quinta-feira o Departamento de Agricultura enviou 3 mil gaiolas para a área de Plaquemines, ao sul de Nova Orleans, para evacuar todo tipo de pássaro para sua limpeza. Por enquanto já apareceram nas ilhas Grand Gosier, perto da costa, dois alcatrazes mortos, cobertos de óleo.

O odor é percebido em diversos pontos do golfo do México. Era notado na quinta-feira à noite em Nova Orleans e se sente constantemente nesta pequena localidade. O Departamento de Saúde e Hospitais do governo estadual já recebeu pelo menos uma dúzia de queixas pelo mau cheiro que percorre as costas e que provoca dor de cabeça, irritação dos olhos e náusea.

"Esses efeitos em curto prazo, é mais provável que sofram os trabalhadores que participam da retirada do petróleo", explica Jonathan Ward, professor de toxicologia ambiental na Universidade do Texas. "Em longo prazo, se a exposição for constante, poderão desenvolver doenças crônicas. É muito importante que tomem as medidas de proteção adequadas, ou poderá acontecer algo semelhante ao que ocorreu aos trabalhadores que participaram da limpeza depois dos atentados contra as Torres Gêmeas em Nova York em 2001."

Na madrugada de quinta-feira a BP, empresa responsável pela plataforma que afundou, iniciou a colocação de uma campana de aço e cimento de 12 metros de altura e 100 toneladas de peso sobre um dos dois vazamentos de petróleo que restam abertos, a 1.500 metros de profundidade, no leito marinho. "Isto é algo muito complexo que nunca experimentamos antes", disse um porta-voz da BP. "Não podemos garantir que dará certo."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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