Após convocação de Dunga, seleção espanhola aspira ser a grande representante do "jogo bonito"

Ramon Besa

  • DIEGO TUSON/AFP

    Eurocopa, 2008: Atletas da seleção espanhola, campeões da Eurocopa ,em Viena, com vitória sobre a Alemanha, desfilam em um ônibus pelas ruas de Madri em festa

    Eurocopa, 2008: Atletas da seleção espanhola, campeões da Eurocopa ,em Viena, com vitória sobre a Alemanha, desfilam em um ônibus pelas ruas de Madri em festa

A história da Copa do Mundo mostra que nenhuma equipe europeia ganhou o Mundial quando foi disputado fora de suas fronteiras. Afirma igualmente a estatística que só o Brasil foi capaz de sair vencedor na América, na Europa e na Ásia. A Seleção Canarinho, cinco vezes campeã, se apresenta portanto como a maior favorita também na África do Sul. Ninguém imagina que Nelson Mandela conseguirá que os "bafana bafana" tenham agora o mesmo impacto que os "springboks" no mundial de rúgbi de 1995. As apostas e pesquisas indicam o Brasil à frente da Espanha, enquanto ninguém acredita que a Itália possa revalidar o título que alcançou em 2006.

Dunga armou uma seleção muito consistente e pragmática, à imagem e semelhança da que ganhou nos EUA em 1994, quando o hoje treinador da seleção atuava como duro volante. A aspiração é que contra o melhor goleiro do mundo, Júlio César, atirem agora ainda menos que contra Taffarel: seis tiros entre os três paus antes da final com a Itália. Desapareceu o famoso quadrado mágico, e o virtuosismo dos atacantes foi substituído pela consistência dos meias.

O Brasil perdeu a bandeira do jogo bonito em favor da Espanha, campeã da Europa e séria aspirante a ganhar o torneio pela primeira vez em sua história. Del Bosque conta com um grupo tecnicamente excelente, dotado de muitos registros, já muito coeso. A melhor geração de jogadores espanhóis. Só as lesões de Torres, Cesc e Iniesta podem diminuir o otimismo de uma equipe que abraça a bola em vez de apelar para a fúria.

O jogo coral espanhol contrasta com a incerteza que despertam seleções do nível de Argentina e Portugal. Os dois melhores jogadores do mundo, Messi e Cristiano Ronaldo, lideram duas equipes que não figuram como as favoritas máximas. O sucesso da Argentina depende da mistura Maradona-Messi. O azul-grená não consegue que o tratem em sua seleção como tratavam na época o hoje treinador, e a Cristiano falta equipe para aspirar a competir pelo pódio mundial.

A alternativa poderia ser a Inglaterra de Capello, uma equipe confiável, de resultados e com um ponto de febre interessante depois de ficar fora da Eurocopa. Ninguém tem tanta vontade de competir quanto os ingleses. Também há uma certa expectativa para ver a Alemanha, que apostou no talento jovem e reuniu um grupo muito interessante de promessas. E com certeza haverá muito debate futebolístico ao redor de seleções como a de Marcelo Bielsa, treinador do Chile, capaz de jogar com até cinco atacantes. A África do Sul admite alternativas e aguarda muitas surpresas. A campeã da Europa aspira a ser campeã do mundo na África.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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