"A situação está degenerando para uma guerra civil", diz líder dos 'camisas vermelhas'

José Reinoso

Em Bancoc (Tailândia)

  • Wally Santana/AP

    Oficiais da Tailândia ao lado de fogueira improvisada pelos "camisas vermelhas" em Bancoc

    Oficiais da Tailândia ao lado de fogueira improvisada pelos "camisas vermelhas" em Bancoc

O empresário Kokaew Pikulthong, 45 anos, é um dos principais líderes dos camisas-vermelhas, formalmente a Frente Unida pela Democracia e contra a Ditadura. Em uma entrevista no posto de comando do acampamento dos manifestantes, pede um cessar-fogo.

El País: Como o senhor vê a situação?

Kokaew Pikulthong: Está cada vez pior. Estamos muito contrariados e tristes. A situação está fora de controle, está degenerando para uma guerra civil.

El País: Acredita que o governo tentará tomar o controle do acampamento?

Pikulthong: Está tentando, mas não é fácil. Causaria muitas mortes. E não serviria para nada, porque mesmo que consigam nos expulsar daqui poderemos montar outro acampamento em outro lugar.

El País: Os camisas-vermelhas dizem que são um movimento pacífico, mas há manifestantes que lançam coquetéis molotov e inclusive granadas, segundo o governo.

Pikulthong: Isso não ocorreu até que os soldados começaram a matar. Há alguns dias, soldados franco-atiradores mataram mais de dez pessoas. Mais de 35 pessoas foram assassinadas nos últimos dias. Gente desarmada, inocente. Muitos camisas-vermelhas e pessoas normais pensam que isso é inaceitável. As pessoas responderam lutando como podem para proteger suas vidas, queimando pneus, caminhões, para bloquear a visão e a trajetória das balas.

El País: Os líderes dos camisas-vermelhas podem controlar esses jovens?

Pikulthong: O problema é que agora em algumas zonas saem sozinhos e nós não sabemos quem são. E há milhões de camisas-vermelhas em todo o país. Pessoas cujos parentes morreram, gente irritada, que quer lutar.

El País: Começaram a ocorrer incidentes também fora de Bancoc. Há risco de que os protestos se estendam para outras províncias?

Pikulthong: Sim, se o governo não ordenar que parem de matar os manifestantes. As pessoas estão furiosas.

El País: O que pedem ao governo neste momento?

Pikulthong: Pedimos um cessar-fogo, que parem as mortes e retirem os soldados que bloqueiam a área. Então diremos aos camisas-vermelhas que parem de se concentrar. O governo rejeitou, até agora.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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