"A América Central merece ser reconhecida por negociar unida", diz Laura Chinchilla, nova presidente da Costa Rica

Álvaro Murillo

Em San José

  • Esteban Felix/AP

    Laura Chinchilla durante anúncio de sua vitória nas eleições presidenciais da Costa Rica

    Laura Chinchilla durante anúncio de sua vitória nas eleições presidenciais da Costa Rica

O gabinete presidencial na sede do governo da Costa Rica mudou completamente. As abundantes fotos do ex-presidente Óscar Arias com inúmeras figuras internacionais deram lugar às fotos familiares de Laura Chinchilla (nascida em San José, em 1959) e a pinturas que ajudam a dar um tom feminino ao poder. A presidente assumiu o comando em 8 de maio, e na quarta-feira em Madri marcou um belo tento. Participou da assinatura do primeiro acordo de livre comércio que a UE assina com um bloco regional, neste caso o centro-americano.

El País: A América Central trabalha em uma só direção?

Laura Chinchilla: Conseguimos chegar ao final da negociação de um pacto com a UE, e isso nenhum outro bloco na América Latina conseguiu. A América Central merece um reconhecimento por chegar a esta etapa em uma negociação difícil, com discrepâncias em uma série de temas e com os desequilíbrios da região. Os andinos não o conseguiram.

El País: Haverá livre trânsito de pessoas na América Central?

Chinchilla: Todos aspiraríamos a que as fronteiras sejam eliminadas, mas os processos devem ser graduais. Aqui [na Costa Rica] fomos receptores de imigração e agora devemos ajudar os países para que não expulsem os seus [referindo-se à Nicarágua].

El País: A senhora considera excessiva a influência na América Central da disputa entre Hugo Chávez e Washington?

Chinchilla: O conflito em Honduras foi fortemente marcado por esse tema, com sequelas que ainda nos impedem de fechar o círculo. Eu, no entanto, confio em que além de simpatias com governos extrarregionais predominem os interesses internos.

El País: Haverá uma união política?

Chinchilla: Esse deve ser um processo gradual e natural... Por enquanto, a integração política está bastante distante.

El País: O que a senhora espera do governo de Barack Obama?

Chinchilla: A Costa Rica já não espera muito dos países desenvolvidos. Por ter conseguido ser um país de renda média, parece mais que nos penalizam com os fluxos de cooperação econômica. Na realidade, o único que esperamos dos EUA, assim como da UE, é que nos deem oportunidades para colocar nossos produtos. Queremos jogar com a mesa nivelada e esperaremos que sejam consequentes, que se encerre a rodada de Doha, que se revisem as políticas de subsídios que impedem um comércio justo. Além disso, devem se preocupar mais com a situação de segurança que, no meu critério, afetará fortemente a América Central nos próximos anos. Ainda somos uma região frágil no plano institucional.

El País: Como fará para que a imagem de insegurança crescente não afete o turismo e os investimentos?

Chinchilla: O pior que um país pode fazer é ocultar um problema, porque o impacto acaba sendo muito mais grave. Se nos compararmos com a América Latina, sim, devemos continuar dizendo aos turistas e investidores que a Costa Rica continua entre os três mais seguros, mas também é preciso advertir que experimentamos um crescimento em criminalidade e violência e por isso é preciso informar para evitar situações de risco, sem exagerar.

El País: Que imagem a senhora quer transmitir para o mundo?

Chinchilla: Vou me preocupar para que mantenha a maior solidez possível na promoção da paz e dos direitos humanos, mas especialmente como um país ativo contra o aquecimento global. Essa foi uma decisão muito forte que tomei ao nomear o chanceler René Castro, especialista em meio ambiente. E a par disto quero projetar a imagem de um país dinâmico que quer se inserir no mercado competindo com os melhores padrões.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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