"Concorro comigo mesma para alcançar a perfeição", diz a cantora Shakira

Lino Portela

Em Lisboa (Portugal)

  • AFP

    Cantora colombiana Shakira se apresenta no Rock in Rio Lisboa (21/05/2010)

    Cantora colombiana Shakira se apresenta no Rock in Rio Lisboa (21/05/2010)

A ideia era boa. Entrevistar Shakira em seu carro durante os dez minutos que separam seu hotel em Lisboa do recinto do Rock in Rio Lisboa, onde se apresentou na sexta-feira. Assim, o jornalista espera sentado na parte de trás de um luxuoso BMW com o gravador preparado e a porta aberta para que a cantora colombiana entre diretamente no carro, saindo pela porta traseira do hotel. Uma situação entre cômica, ridícula e emocionante.

Mas no último segundo há mudanças. A entrevista é suspensa porque Shakira está "tensa e nervosa" por causa do show que dará esta noite. São dois anos sem se apresentar ao vivo, e se nota.

Na manhã seguinte, depois de um show fantástico mas contido, Shakira, 33, se apresenta para a entrevista com jeans justos como dos anos 80, blusa cinza, botas de salto e plataforma e lábios pintados de rosa intenso. Masca chiclete. Está prestes a publicar um novo disco em castelhano, estreia uma turnê em setembro e se apresenta em 5 de junho próximo no Rock in Rio Madri.

El País: O que lembra de seu show no Rock in Rio Madri em 2008?

Shakira: O público madrilenho é inesquecível. Tenho vontade de voltar. Vocês são muito apaixonados, expressivos, participativos e sinceros.

El País: Se tivesse sido uma partida de futebol, você teria ganhado de Amy Winehouse por goleada. Como enfrenta as apresentações ao vivo? As vê como uma competição?

Shakira: Não me sinto um cavalo de corrida. Na arte não se pode competir. Cada um tem seu veículo de expressão. Não há mensagens piores nem melhores. Sim, concorro comigo mesma para tentar alcançar a perfeição. Mas não fico obcecada.

El País: Quando percebeu que podia fazer esses movimentos de quadris ao dançar?

Shakira: Tinha 4 anos. Me apaixonei pela música do Oriente Médio e os ritmos árabes. Já dançava assim no colégio toda sexta-feira em um recital. Tive muito tempo para treinar. Minha conexão com a dança é muito profunda. É outra ferramenta para conhecer a mim mesma. Através da dança descubro outras dimensões. Quando me vejo e me sinto dançar me conheço um pouco mais. E sei em que momento de minha vida estou.

El País: E em que momento está?

Shakira: Há dois anos não subia em um palco para tocar ao vivo. E na sexta-feira no Rock in Rio percebi que meu corpo se expressava de outra forma e que tinha movimentos diferentes. Imagino que terão de ver como estou agora: com vontade de fazer coisas diferentes.

El País: Você está terminando de gravar um novo disco, desta vez em castelhano. Cantar em espanhol é como uma dívida depois de sua conquista do mercado americano?

Shakira: É mais uma necessidade e uma urgência. Um impulso. Esse novo disco tem canções que me lembram minha primeira fase. Tem rock, baladas e sons típicos do folclore dominicano e colombiano. Ainda não posso revelar o título, mas a turnê se chamará Tour das Delícias e começa em setembro. Queremos redefinir o que é um show. Haverá muitas referências à mitologia. Uma viagem através das culturas.

El País: Contou com Rafa Nadal para seu vídeo de "Gitana" e com Messi para a canção da Copa da África do Sul, "Waka Waka". Você se cerca dos melhores...

Shakira: É uma honra. Me impressionou muito quando o Barça ganhou a Liga, porque acabaram cantando o "Waka Waka" no meio do campo.

El País: Sabe jogar futebol?

Shakira: Não, sou péssima. Na Colômbia as mulheres não jogam futebol. Estão começando agora. Cantarei a canção do Mundial da inauguração e também na última partida.

El País: Algum prognóstico para a final?

Shakira: Gostaria que fossem duas equipes hispânicas. Espanha, México ou Argentina... Este ano a Colômbia não participa, mas o importante é que seja na África. Durante muito tempo o continente esquecido e agora o escolhido. Por isso queria que a canção reunisse ritmos africanos. Cantos de Camarões e sons do Caribe colombiano, que está conectado à África.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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