Crise freia o número de imigrantes que residem na Espanha

Susana Pérez de Pablos

Em Madri

  • AFP

     O primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, durante anuncio do pacote de cortes

    O primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, durante anuncio do pacote de cortes

Aumentaram só 5,6%, e há 4.000 equatorianos a menos que um ano atrás

O número de imigrantes não comunitários que possuem residência na Espanha desacelerou. A crise econômica reduziu o número de alguns estrangeiros, como os ibero-americanos. No último ano aumentaram em 137.470 as carteiras de residência de estrangeiros que não procediam da UE nem tinham parentes que fossem cidadãos comunitários.

Essas carteiras são concedidas conforme os requisitos da Lei de Estrangeiros. Assim, atualmente 2.573.347 estrangeiros as possuem, 5,6% a mais que no ano anterior, quando contavam com essa autorização 2.435.877 pessoas, segundo os últimos dados revelados na última terça-feira (25) pelo Observatório Permanente da Imigração do Ministério do Trabalho e Imigração.

A crise econômica é o principal motivo que se atribui à redução das carteiras de residência de algumas nacionalidades. Por exemplo, este ano há na Espanha 3.947 equatorianos a menos com essa autorização do que no ano passado.

O Ministério do Trabalho e Imigração também contabiliza as pessoas da UE ou seus familiares residentes, que devem ter o certificado de registro na Espanha. Nesse ponto, há dois dados interessantes relacionados à Argentina. Por um lado, no último ano diminuíram 5.463 os argentinos com esse certificado, o que pode significar que muitos puderam partir da Espanha. E por outro aumentou em 23.479 o número de italianos com esse certificado. Segundo os dados, de todos os italianos que contam com esse documento na Espanha (160.967), a metade deles, segundo as estatísticas, nasceu em outro continente, a maioria supostamente na Argentina.

A progressão no crescimento dos estrangeiros não comunitários que obtêm a residência na Espanha revela que enquanto em 2007 aumentaram 7,6% e em 2008 9,2%, no último ano começou uma redução, para 5,6%.

O aumento de 52,2% das carteiras de residência em 2006 em relação ao ano anterior ocorreu devido à regulamentação dos imigrantes, e a redução para apenas 1% de aumento que se observa em 2008 também tem uma explicação: foi quando romenos e búlgaros passaram a se registrar como comunitários. Marroquinos (775.054), argelinos (53.768) e senegaleses (42.003) continuam sendo as nacionalidades africanas que têm mais carteiras de residência e certificados de registro na Espanha.

Aumentou bastante no último ano o número de residentes dentro do regime comunitário, segundo ressalta um porta-voz do Ministério do Trabalho e Imigração. Há 200.466 pessoas a mais com autorização para residir na Espanha (o certificado de registro).

Chama a atenção também o aumento de britânicos: há 13.093 a mais. Uma das chaves é a idade. Enquanto que os estrangeiros maiores de 65 anos residentes na Espanha representam 3,8% em média, no caso dos britânicos são 27%.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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