Eleições na Colômbia: candidatos sem condições de ganhar detêm a chave do 2° turno

Pilar Lozano

Em Bogotá, Colômbia

  • Juan Barreto/AFP

    Da esquerda para a direita, os candidatos à presidência da Colômbia Gustavo Petro, Noemi Sanin e Antanas Mockus durante o último debate da eleições presidenciais do país que aconteceu na noite desta quinta-feira (27)

    Da esquerda para a direita, os candidatos à presidência da Colômbia Gustavo Petro, Noemi Sanin e Antanas Mockus durante o último debate da eleições presidenciais do país que aconteceu na noite desta quinta-feira (27)

O apoio de quatro aspirantes à presidência será vital para Santos e Mockus

Para os que consideravam insubstituível o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, a surpresa foi grande: seis candidatos de qualidade - há consenso nisto - se enfrentam neste domingo para sucedê-lo. Embora a opinião pública tenha se polarizado entre o ex-ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, e o candidato verde, Antanas Mockus, com suas propostas de duas Colômbias diferentes, os programas dos quatro candidatos restantes se destacam por sua maturidade.

Gustavo Petro, do Pólo Democrático, situado na esquerda democrática, encheu as praças e ganhou aplausos pela contundência de seus argumentos, por sua visão de país. Mas a Colômbia ainda não perdoou seu passado guerrilheiro. Os erros da atual administração de Bogotá - ele mesmo qualificou de clientelista o prefeito Samuel Moreno, de seu partido - também lhe cobraram um preço. É o maior crítico do atual governo. Apresentou-se como o candidato da equidade, o das reformas profundas para reduzir a brecha cada dia maior entre ricos e pobres.

A mais inconsistente é Noemí Sanín. A candidata do Partido Conservador não conseguiu definir seu perfil: quis ser a mais uribista, e ao mesmo tempo a candidata da honestidade, um espaço que desde o início Mockus se atribuiu com maior êxito. Apoiada nos mais de 2 milhões de votos que seu partido conseguiu nas legislativas de março, chegou a aparecer em segundo lugar nas pesquisas, mas terminou com apenas 6% das intenções de voto. Sua incoerência, o fato de ter jogado no passado em vários partidos e em vários governos, a prejudicou. Hoje, e parece uma desculpa, falam do já secular machismo colombiano como culpado pelo fracasso de Sanín.

Outro candidato, Germán Vargas, do Cambio Radical [Mudança Radical], neto de um ex-presidente, fez, para muitos, a campanha mais sólida. De fato, começou a prepará-la antes de todos. Petro o qualificou como "o melhor candidato uribista". Enquanto isso, Rafael Pardo, do Partido Liberal, ficou praticamente apagado nas pesquisas. No entanto, sua fórmula para acabar com o conflito deu altura aos debates. Seu pecado? Falta de carisma e ser representante de um partido tradicional que há anos carrega todo tipo de vícios.

Se não houver surpresas neste domingo, os quatro terão um papel vital para definir quem será o ganhador, se, como se prevê, houver um segundo turno. É possível que Vargas e seu partido - não sua candidata Sanín, que teve fortes confrontos com Santos - apóiem abertamente o ex-ministro da Defesa. Pardo disse isso claramente: "O único Santos em que acredito é [o cantor de boleros] Daniel Santos". O papel do Pólo ainda não está claro. Os dardos contra Mockus - e deste ao Pólo - foram duros e há um setor que se inclina pelo voto em branco. O vereador de Bogotá Carlos Vicente de Roux tem uma proposta intermediária: "Apoiá-lo, lhe dar um tempo de espera e passar à oposição se não cumprir suas promessas em matéria de equidade.

E Mockus?, perguntou este jornal a dois fiéis seguidores de Petro no encerramento da campanha deste em Bogotá. "Não; é neoliberal", recusaram taxativamente. Mas mudaram de resposta ao falar do segundo turno: "Votaremos nele, fala de legalidade e esse é um primeiro passo para mudar a Colômbia".

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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