Um aristocrata e um jornalista são chaves nas eleições tchecas

Gloria Torrijos

Em Viena (Áustria)

Os conservadores do TOP 09, do aristocrata Karel Schwarzenberg, e os populistas do Assuntos Públicos (VV na sigla em checo), do jornalista investigativo Radek John, podem desempenhar um papel chave como partidos-dobradiça no próximo governo tcheco, que segundo os indícios será de coalizão.

Não parece provável que alguma força consiga sozinha os votos necessários para estabelecer um gabinete ministerial nas eleições de sexta-feira e sábado na República Tcheca. Por isso temem-se negociações trabalhosas para formar um novo governo, no qual não se descarta uma grande coalizão entre os conservadores do Partido Democrático Cívico (ODS) e os social-democratas do CSSD.

Outras opções mais factíveis são que os conservadores se apoiem no TOP 09 e os social-democratas no Partido Comunista. O Assuntos Públicos poderia participar de qualquer das duas possíveis alianças.

Karel Schwarzenberg é um dos políticos mais populares e com maior projeção internacional - tem nacionalidade tcheca e suíça -, enquanto Radek John, inclusive mais popular que Schwarzenberg, se caracteriza por seus comícios cheios de impropérios, uma mistura de ideologias diferentes e por lançar patrulhas de voluntários para aconselhar os cidadãos a espantar viciados em drogas e os sem-teto.

Schwarzenberg, com seu ranço de passado intelectual - é cofundador do prestigioso semanário austríaco "Trend" e do tcheco "Respekt" - e suas numerosas condecorações de diferentes países, oferece outra dimensão da política. De 2007 a 2009 foi ministro das Relações Exteriores da República Tcheca e em 2009, eleito presidente do TOP 09, é partidário de introduzir medidas extremas de viés liberal na economia e na administração, para equilibrar os orçamentos. As últimas pesquisas lhe dão em torno de 10% dos votos, contra cerca de 7% para o Assuntos Públicos.

O nobre de 72 anos conhecido internacionalmente como Karl até que foi assessor (1990-1992) do primeiro presidente democrático da ex-Tchecoslováquia, Vaclav Havel, usa desde então em seu país de nascimento a versão checa do nome, Karel, sem seus títulos de Alteza Sereníssima Príncipe de Schwarzenberg, chefe de sua linhagem desde 1979, Conde de Sulz, Príncipe de Kleggau e Duque de Krummau.

Pertencente a uma das mais poderosas e antigas famílias do antigo Império Austro-Húngaro, Schwarzenberg se exilou em 1948 da antiga Tchecoslováquia, onde sua linhagem possuía 11 castelos e 30 mil hectares de terras, até o confisco em 1947 pelo regime comunista. Embora com a chegada da democracia tenha renunciado a 90% desse patrimônio, é um dos maiores proprietários de terras checos, senão o maior.

Em Viena estudou o colegial e direito, e engenharia florestal em Munique (Alemanha), que lhe serviram para explorar as propriedades familiares em território austríaco e alemão.

Por outro lado, embora os social-democratas do ex-primeiro-ministro Jiri Paroubek, aos quais se dá uma intenção de voto de 25%, confiem em regressar ao poder, isso não parece possível.

Ao fim de um ano de governo de tecnocratas, depois que o governo anterior da coalizão de centro-direita encabeçada pelo ODS, do chefe de governo Mirek Topolanek, foi derrotado durante a presidência checa da UE em uma moção de censura dos social-democratas, também não se sabe se os conservadores conseguirão superar os 18% de votos que lhes atribuem as pesquisas.

Paroubek concentrou sua campanha em prometer emprego e estabilidade, embora sem medidas diferentes das que vêm aplicando o atual gabinete de Jan Fischer, a quem se deve que o país, que não adotou o euro, não tenha sido tão abalado pela crise global como outros de seus parceiros comunitários. Social-democratas e conservadores - que governaram de 1993 a 1998 e de 2006 a 2009 - são os dois rivais máximos nestas eleições em que o eleitorado, de 8,4 milhões de pessoas, espera que estabilizem politicamente seu país com um desemprego de 9%, uma dívida pública e um déficit orçamentário equivalentes a 35% e 5,3% do Produto Interno Bruto, respectivamente.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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