Cinco candidatos vão disputar a liderança dos trabalhistas britânicos

Walter Oppenheimer

Em Londres

Cinco candidatos conseguiram os apoios necessários para optar pela liderança do Partido Trabalhista britânico. Nesta quarta-feira (9), conseguiram as 33 assinaturas necessárias dentro do grupo parlamentar o ex-ministro Andy Burnham e a deputada esquerdista Diane Abbott. Há vários dias já tinham as assinaturas necessárias os irmãos David e Ed Miliband e também Ed Balls, o braço-direito do ex-primeiro-ministro Gordon Brown.

As dificuldades que o jovem Burnham teve para conseguir os apoios necessários para ser candidato dissipam seu papel de oculto na disputa. A candidatura de Abbott parece puramente testemunhal: a primeira mulher negra eleita há 23 anos deputada trabalhista tinha na quarta-feira de manhã só 16 das 33 assinaturas necessárias. A enxurrada de assinaturas de última hora se explica sobretudo pelo interesse do partido em ampliar o debate em uma contenda monopolizada por homens brancos educados em Oxford ou Cambridge.

Primeiro, na terça-feira, a líder provisória do partido, Harriet Harman, anunciou que assinaria a favor de Abbott, mas isso não significa que vá votar nela ao longo da disputa eleitoral. Na quarta-feira, o candidato esquerdista John McDonnell, muito longe das assinaturas necessárias, anunciou sua renúncia e pediu que seus seguidores assinassem por Abbott, quando faltavam apenas três horas para o encerramento da apresentação de candidatos. Depois, o favorito da contenda, David Miliband, com assinaturas de sobra, anunciou que daria seu apoio a Abbott para que conseguisse a nomeação e pediu a seus partidários que fizessem o mesmo.

Agora começam várias semanas de campanha. As votações serão feitas por correio de 16 de agosto até 22 de setembro. O vencedor será anunciado em 25 de setembro, no primeiro dia do tradicional congresso anual dos trabalhistas.

As votações estão divididas em três terços: um terço dos votos está nas mãos do grupo parlamentar nos Comuns, o outro terço representa as organizações afiliadas ao trabalhismo e o terceiro, os militantes. Os eleitores põem em ordem de preferência os candidatos, de forma que se ninguém conseguir a maioria absoluta vão-se eliminando os candidatos menos votados e atribuindo aos restantes suas segundas preferências de voto, até que um deles obtenha a maioria absoluta.

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Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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